UNITA rende homenagem a Jonas Savimbi na Lopitanga (Andulo)

Se estivesse em vida, Savimbi faria hoje 86 anos, mas quis o destino que partisse para a eternidade a 22 de Fevereiro de 2002, ao tombar em combate num confronto com as forças governamentais

Uma homenagem a Jonas Savimbi, líder fundador da UNITA, foi feita ontem na Lopitanga, terra onde repousam os seus restos mortais desde 1 de Junho do ano passado, no município de Andulo, província do Bié.

Encabeçada pelo presidente do partido, Adalberto Costa Júnior, a homenagem enquadra-se nas comemorações do 86º aniversário que se assinala hoje, 3 de Agosto.

O director de Comunicação e Marketing da Presidência da UNITA, Lourenço Bento, informou a OPAÍS que após a deposição de uma coroa de flores no túmulo, seguiu- se um encontro com um grupo restrito de militantes.

O encontro, orientado pelo presidente do partido, reflectiu a “vida e obra” de Jonas Savimbi, tendo sido destacado o seu contributo na luta de libertação nacional, e na instauração de um Estado democrático de direito.

Aos militantes, Adalberto Costa pediu para preservarem os ensinamentos de Jonas Savimbi para a consolidação de um Estado democrático e para proporcionar uma vida melhor aos angolanos.

Durante o acto singelo, assistido também por um número reduzido de familiares, devido à observância das medidas de biossegurança orientadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para se evitar o contágio da Covid-19, foi lembrado o percurso político de Jonas Savimbi.

Para Adalberto Costa Júnior, a bravura e a determinação de Savimbi devem servir de exemplo para as gerações vindouras, colocando em primeiro lugar os interesses da nação, acima dos pessoais.

Jonas Savimbi foi também destacado como sendo um dos pan-africanistas que contribuíram para a fundação da Organização da Unidade Africana (OUA), agora denominada União Africana (UA), desde Julho de 2002.

Na romagem ao túmulo de Jonas Savimbi, o presidente da UNITA fez-se acompanhar por uma importante delegação constituída por membros do seu gabinete, do Comité Permanente da Comissão Política (CPCP) e dos secretariados provinciais do Bié e do Huambo.

Jonas Savimbi está sepultado num cemitério da família ao lado dos seus pais Loth Malheiro e Helena Mbundu, e ainda do seu sobrinho, o general Arlindo Chenda Pena (Ben Ben), antigo vice-chefe do Estado Maior General das Forças Armadas Angolanas (FAA), falecido por doença em Outubro de 1998, na África do Sul.

Jonas Savimbi tinha sido enterrado inicialmente no cemitério municipal do Moxico, na cidade do Luena, capital da província.

Dezassete anos depois, as suas ossadas foram definitivamente enterradas no local onde em vida tinha pedido que fosse enterrado, num processo que envolveu a família, a direcção da UNITA e o Governo.

O processo de exumação e inumação dos restos mortais de Jonas Savimbi decorreu da abertura do Presidente da República, João Lourenço, que autorizou a solicitação da família e da direcção do partido de que o malogrado foi fundador.

O gesto do Chefe de Estado foi enaltecido pelo então líder da UNITA, Isaías Samakuva, que, na altura, enquadrou-o como um passo importante para o processo de reconciliação nacional em curso no país.

Enterro condigno

O corpo de Jonas Savimbi jaz num sarcófago construído por um seu filho, Cheya Savimbi, engenheiro de construção civil.

Foi enterrado num acto presenciado por individualidades nacionais e estrangeiras, viúvas e de 30 filhos, residentes em Angola e no estrangeiro, em acto reportado por mais de 100 jornalistas nacionais e estrangeiros.

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