Carta do leitor: As festas da Covid

Belmiro Livulo

Meus caros amigos do jornal OPAÍS.

Sei que agora passaram para a esfera do Estado, ouvi na rádio que leu um comunicado da PGR. Espero que o futuro dos trabalhadores seja bom, assim como o dos leitores. Se ficarem iguais aos órgãos do Estado será uma grande pena e o próprio Estado ficará a perder.

Pelo menos aqui temos a liberdade de escrever sobre os assuntos da nossa vida como cidadãos, como povo.

Quero falar da lei da calamidade púbica em Angola que permite algumas festas em casa. Isto é uma grande falha, porque não vai evitar o contágio da Covid-19. Muitas pessoas chegam de longe e não se sabe onde estiveram antes. Ainda que as festas sejam de grupos pequenos, o perigo é grande. Juntar dez pessoas já é muito, para mim.

As pessoas estacionam os carros na rua e alguém pode tocar neles, por exemplo. Eu vivo num prédio no Nova Vida e no fim-de-semana uns vizinhos deram uma festa. Nem quero falar do barulho da música, que acabou perto da meia-noite, mas fiquei a pensar no perigo. Havia muitos jovens que andavam ora para cima, ora para baixo, tocando das portas e em todo o lado.

Liguei para um familiar no Kilamba e lá também tinham o mesmo problema, mas com a diferença de as pessoas estarem toda a hora a usar o elevador. Assim, todos os moradores do prédio ficam em perigo, mesmo sem terem participado na festa do vizinho, que ninguém sabe de onde vieram os seus primos e amigos.

Acho que se deve acabar com as festas de uma vez, principalmente nos prédios, porque além dos que estão na festa, quem não está também corre riscos. E as pessoas não respeitam os espaços comuns. É barulho, lixo e mãos em todo o lado.

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