Momento político não é o mais favorável para acordo Mercosul-UE, diz Azevedo da OMC 

O momento político não é o mais favorável para o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, avaliou, nesta Terça-feira, o directorGeral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, recomendando, no entanto, que ambas as partes mantenham o senso de urgência e pensem no longo prazo para a oportunidade não ser perdida. 

“Com pandemia em curso, com a desaceleração tão dramática das economias, haverá pressões, imagino que dos dois lados, para evitar choques de oferta e demanda, sobretudo de oferta, muito fortes neste momento”, disse ele. 

Em evento online promovido pela ICC Brasil e a Confederação Nacional da Indústria (CNI), Azevêdo afirmou que o Brasil precisa fazer o dever de casa para se inserir de maneira mais efectiva nas cadeias globais de produção e destacou que o acordo Mercosul-UE dá “excelente oportunidade para se avançar nesse sentido”. 

Azevêdo, que está de saída do cargo, pontuou ter aprendido ao longo dos seus sete anos à frente da OMC que a conjuntura política e económica pode alterarse de uma hora para outra. “Podem aparecer imprevistos de todo o lado, como pressões na área ambiental, por exemplo, ou na área de padrões trabalhistas, coisas que não estavam tão evidentes no radar”, disse ele, frisando que isso pode vir a complicar a negociação. 

“Então eu não perderia o sentido de urgência, acho que essa seria a minha principal mensagem.” 

MEIO AMBIENTE 

Noutro ponto do debate, Azevêdo frisou que a questão ambiental “está aí para ficar” nas relações comerciais, e que na OMC já se discutem negociações que levem o tema em consideração. 

“A questão ambiental está aí para ficar, não adianta ficar a imaginar que é uma coisa circunstancial, conjuntural, isso vai mudar se explicarmos melhor, não é isso”, afirmou. “Qualquer grande acordo mundial que vier no futuro, eu acho que essa discussão vai estar a ser discutida, não há como fugir dela.” 

leave a reply