Prosseguem buscas para localizar cidadãos desaparecidos na zona costeira da Baía-Farta

As autoridades pesqueiras na província de Benguela envidam esforços para localizar as três pessoas desaparecidas na zona costeira da Baía-Farta, na sequência do naufrágio de uma embarcação de pequeno porte, que já provocou a morte a uma criança. Os cidadãos estão desaparecidos desde Segunda-feira

A embarcação saía do Cawango, zona C do município de Benguela, e seguia viagem à Baía-Farta, de onde, logo a seguir, sairia para a província do Namibe, onde geralmente os pescadores artesanais desenvolvem a sua actividade pesqueira, e naufragou com 17 pessoas a bordo. 

Para este percurso, segundo pescadores do bairro do Tchipiandalo, leva-se a bordo 15 a 20 bidões de 20 litros de gasolina, para suportar os dois dias de viagem. A OPAÍS contaram que, além de gasolina para o motor, a embarcação também leva 20 barras de gelo em arcas para a conservação do pescado e mantimentos. 

Das 17 pessoas que seguiam na embarcação objecto de busca, por parte das autoridades de pesca, 13 sobreviveram ao acidente, tendo, na mesma ocasião, falecido uma criança de um ano e sete meses. 

De acordo com testemunhas no local, depois de a embarcação ter naufragado, a população se terá apercebido do acidente através de gritos de socorro, isto às primeiras horas de Segunda-feira. Logo a seguir, alguns marinheiros se fizeram ao mar para os salvar. 

Em declarações à imprensa, o porta-voz da Protecção Civil e Bombeiros em Benguela, Jorge David, chama a atenção aos pescadores para não se deixarem levar apenas pela apetência do lucro fácil, excedendo na lotação de embarcações. Segundo Jorge David, tudo aconteceu quando o mestre da embarcação, cansado, resolveria descansar e entregou o leme ao contra-mestre. E este, por sua vez, teria igualmente passado a responsabilidade a um outro marinheiro e daí a fatalidade. 

O responsável lamenta o facto de os marinheiros não se terem feito acompanhar de meios de segurança, designadamente colectes salva-vidas, agravado com o facto de “a embarcação também não ter capacidade para levar o que levava”, considera. Em condições normais, segundo apurou este jornal, deviam estar a bordo apenas quatro pessoas. 

O director provincial da Pescas, José Gomes da Silva, disse que as buscas prosseguem para localizar os desaparecidos. Segundo o engenheiro, os marinheiros estariam a fazer cabotagem de um lado para outro. 

Saliente-se que os industriais no município de Benguela e Baía-Farta há muito que vêm alertando as autoridades pesqueiras para a necessidade de se afinarem as questões de natureza inspectiva a embarcações de pequeno porte que se fazem diariamente ao mar, porquanto muitas delas não obedecem às normas, excedendo, em muitos casos, o número de pessoas a bordo e a carga. 

Constantino Eduardo, em Benguela 

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