Carta do leitor: O negócio do lixo

Uma vez mais, os bairros de Luanda e de outras partes do país ficaram apinhadas de lixo. Não se trata de uma situação nova. O que vimos nos últimos dias é a consequência das mudanças de governadores em muitas partes, operações que posteriormente dão azo a mudanças nas principais empresas e a entrada em cena de novos actores.

As centralidades do Kilamba, Sequele e até no novo Zango 8000 viram-se confrontados com enormes quantidades e a cena deprimente que ocorre nas circunstâncias. Dezenas de pessoas procuram nas caixas e pacotes nos contentores alguma coisa para satisfazer as suas necessidades alimentares.

O negócio do lixo é uma das piores práticas na capital do país. Noutros estados, o lixo é uma riqueza, existindo até empresas de reciclagem que fazem dele um bem para a criação de empregos e outros produtos. Aí pertinho, no Zango, por exemplo, há o caso da Vassoforça, uma empresa que busca do lixo recipientes de plástico e transforma-os em vassoura e outros bens duradoiros.

As promessas do Presidente da República, João Lourenço, têm sido várias em relação ao combate à corrupção. Vimos acções de inspecção em muitas empresas públicas. Espera- se que também estenda estas operações às empresas de limpeza, sobretudo aquelas que têm recebido verbas do Estado.

Há muito que se escreve e se associa o nome de determinadas figuras poderosíssimas no referido negócio. Não se compreende como é que são feitas as cobranças, mas o certo é que a dívida do Governo Provincial para com estas empresas cresce quase que diariamente. É preciso que se encontre a verdade e deixem de ver o Estado apenas como uma fonte de enriquecimento de muitos chico espertos.

Enquanto uns se alimentam no lixo, outros conseguem milhões de dólares todos os anos por conta de uma operação, cujos contornos sempre foram nebulosos.

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