Compositor santomense Domingos Neves admite que Covid-19 retirou-lhe o trabalho

Músico, cantor e compositor polivalente, popularmente conhecido no music–hall do arquipélago, pelas suas habilidades no manejo dos diferentes instrumentos musicais, encontra-se, como tantos outros, inactivo desde Março, o mês em que começaram a vigorar as medidas de prevenção contra a Covid-19 em São-Tomé e Príncipe

Chama-se Domingos das Neves, mas é carinhosamente tratado no meio artístico, e não só, por Vizinho. Polivalente e popularmente conhecido pelas suas habilidades no manejo dos diferentes instrumentos musicais, Vizinho encontra-se, como tantos outros, inactivo desde Março, o mês em que começaram a vigorar as medidas de prevenção contra a Covid-19, em São-Tomé e Príncipe. 

“Para mim, o reflexo disto tem sido muito grande, muito grande mesmo, porque muitos de nós músicos vivemos, sobretudo, da música e os agrupamentos têm sempre despesas, além de compromissos que normalmente são previamente assumidos com os clientes”. 

Foi assim que começou por reagir, questionado pela STP-Press. Vizinho disse estar consciente de que a culpa não é do Governo, aliás o problema não é só de São-Tomé e Príncipe, nem começou em São-Tomé e Príncipe. 

“É um problema que começou lá onde começou e que de repente atravessou fronteiras e se espalhou por todo o mundo. Medidas de prevenção e combate, logicamente, mas também não podemos descartar efeitos. Não estou contra. A suspensão das actuações dos grupos culturais foi bem decidida. 

“Eu fui analisar que, por exemplo o conjunto Kwa Non de que faço parte e sou responsável, arrasta muita gente seja em terraços ou ao ar livre. Ora, pela forma de contaminação desta doença, ainda bem mesmo que tudo está parado. Todas as actividades culturais tinham que parar mesmo”, disse. 

Acrescentou que da parte do conjunto Kwa Non, “nem há ensaios, porque estes também atraem muitas pessoas. Por outro lado, cada elemento do grupo teria que regressar a casa com alguma coisa na algibeira”. 

E a sorrir, recostado no sofá, pois tem estado em convalescença após algum tempo doente, o músico que é membro da Igreja Universal do Reino de Deus, há cerca de 20 anos, rematou: “Cada um pensa como pensa e eu penso como penso. Com todas as suas consequências para o dia-a-dia de cada indivíduo ou família, eu até vejo esse tal de coronavírus como algo que veio também para dar descanso aos músicos. Algo espiritual”. 

O músico disse que para si que está a ver uma pessoa a tocar durante anos, ora de dia, ora de tarde, ora de noite até de manhã, várias vezes ao meio da semana e ainda aos fins de semana! ….. não “Esse Covid-19 veio para me dar descanso. Tanto é que logo a seguir as medidas anunciadas pelo Governo, fiquei doente vítima doutros problemas de saúde. De resto, temos todos que ter paciência”. 

Domingos das Neves “Vizinho” iniciou a sua carreira musical desde tenra idade no grupo pioneiril “Os Canucos da Ilha Verde” dirigido por Felício Mendes, no qual os elementos tinham a liberdade de experimentar os diferentes instrumentos para depois optarem. No seu caso, começou por aprender a tocar guitarra. 

Com o desaparecimento dos Canucos, participou num grupo denominado XM12 que ensaiava no edifício 19 de Setembro mesmo na capital, no qual aprendeu estilos musicais cubanos, aliás o grupo era dirigido por um professor cooperante cubano de matemática. Tendo já aprendido a tocar bateria, foi descoberto pelo conjunto Sangazuza no qual ingressou em 1984 como baterista e depois como “faz-tudo”, dada a sua polivalência, até que divergências internas que foram surgindo anos depois o “empurraram” para o conjunto Kwa Non. 

O seu historial contempla ainda actuações em bandas, como por exemplo a Banda da Ilha, Banda Equipe Som Master, Banda Favorita, e não só. É membro da ASSOMÚSICOS-Associação dos Músicos de São-Tomé e Príncipe. 

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