Covid-19 deixa Lubango sem festas da Nossa Senhora do Monte

O mês de Agosto tem sido para a cidade do Lubango, capital da província da Huíla, uma época para a realização de muitas actividades sócio-culturais e económicas com realce para a Expo-Huíla, Feira do Gado, e a procissão à Capelinha da Nossa Senhora do Monte

Para o presente ano, estas e outras actividades não serão realizadas, com excepção da tradicional procissão de velas e da missa campal, que decorrerão em 14 e 15 de Agosto, com muitas alterações no formato.

Francisco Artur, do Santuário da Nossa Senhora do Monte, disse que em função das medidas de segurança que visam conter a propagação da Covid-19, a procissão de velas não será acompanhada pelos fiéis como tem sido nos últimos 90 anos.

“Temos a grande responsabilidade de prevenir o contágio pela enfermidade e, assim sendo, este ano temos um programa especial adaptado às circunstâncias do contexto. No dia 14, tradicionalmente temos tido a procissão de velas. Desta vez não será feita a pé, mas com os féis dentro das suas viaturas”, disse.

O dia seguinte (15), disse o sacerdote, estará reservado para a realização de uma missa, que poderá contar com a participação de pelo menos 300 pessoas, de forma a se observar o distanciamento social.

Turismo religioso afectado pela Covid-19

Os lubanguenses não terão as tradicionais festas da Nossa Senhora do Monte por força da Covid- 19, cujo número de infectados em Angola passa os mil, com dezenas de mortos.

“O turismo religioso ficou afectado com esta pandemia, porque sempre que se realizam as festas da Nossa Senhora do Monte, vêm muitos turistas e o turismo religioso traz para os cofres do Estado e para os empresários muitas vantagens como acontece em várias partes do mundo. Temos de, igualmente, nos adaptar à nova realidade”, afirmou, o Padre Francisco Artur.

A par das festas da Nossa Senhora do Monte, muitas actividades culturais, recreativas e desportivas, não serão realizadas nesta edição de 2020, com vista a se evitar a aglomeração de pessoas.

O director do Complexo Turístico e Desportivo da Nossa Senhora do Monte, Domingos João Fernandes, fez saber que, os 200 quilómetros da Huíla em automóvel e motorizadas, fazem parte do leque de actividades que a Covid-19 retirou da tradição lubanguense, no mês de Agosto.

Desde o dia 15 de Agosto de 1903, todos os anos, a esta altura, a população do Lubango passou a dirigir- se à capela para celebrar a romaria que se tornou tradicional. Em 1919, João Henrique de Azevedo idealizou e desenhou uma capela mais ampla e que podia ser visível a partir de qualquer canto da vila e foi inaugurada em 1921.

Os fiéis, na sua romaria, transportam a imagem da Nossa Senhora, num gesto iniciado em 1930. A imagem era trazida procissionalmente da capela para o parque, pois muitos madeirenses, já idosos, não tinham força suficiente para subir ao local da capela.

Houve várias interrupções nas romarias e a última aconteceu em 1975 com o advento da independência de Angola, tendo reiniciado apenas em 1986 (Sousa, 2013).

João Katombela, na Huíla

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