E assim… Estreia e estrelas

Com pouco mais de quatro meses pela frente neste ano de 2020, a realização das eleições autárquicas volta à baila. Do lado da UNITA, através do seu presidente, Adalberto Costa Júnior, persiste a insistência pela realização das eleições autárquicas. Do lado do maioritário, as respostas têm sido as mesmas. Ninguém muda de tom. Mas também ninguém diz que não terão lugar.

As declarações de políticos da oposição e da situação, feitas ontem, demonstram não só a pressa, mas também a cautela sobre o tema. Até mesmo para leigos não parece que existam condições para que elas ocorram nos próximos dias de Agosto, Setembro, Outubro, Novembro e Dezembro deste ano. E sem pacote legislativo concluído.

Longe dos pruridos políticos de quem pretende alcançar, repartir ou manter o poder, nesta fase do campeonato, com os campos quase desertos devido à Covid-19 e alguns jogadores fora das bancadas por causa da indefinição em relação ao futuro, são poucos os sinais animadores.

Trata-se apenas de realismo puro e duro. Sem paixões nem clubismos políticos. O que desde já abre horizontes para que se comece a olhar para além deste ano ingrato em quase todos os sentidos.

Angola prepara-se para, nos próximos meses, atingir o pico de contágios, com uma velocidade de casos quase que assustadora, com cifras estimadas entre os 45 mil casos. À semelhança dos sinais que vêm até de países mais desenvolvidos que o nosso, existe uma incerteza em relação à situação económica, social e também política, a julgar pelas restrições que podem ser impostas em caso de agravamento dos problemas sanitários.

A realização das eleições autárquicas, apesar da experiência existente no campo das legislativas, exigirá um outro esmero. São necessárias, sim, mas também estaremos perante uma estreia, em que não se espera que se evoque o fantasma da fraude por nenhum dos concorrentes.

Alguns países que mantiveram determinados processos eleitorais nas suas agendas não o fazem pela primeira vez, como nós. E um processo melhor preparado deverá conferir uma outra dignidade às estrelas que pretendem brilhar.

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