UNITA acusa MPLA de inviabilizar realização das autarquias

Para o partido, a Covid-19, apesar de ser uma realidade no mundo e em Angola, em particular, não deve paralisar a vida política do país

O Secretariado Executivo do Comité Permanente da Comissão Política da UNITA, através de uma nota, distribuída ontem, em Luanda, diz que ao tirar da agenda política este ano, a realização das eleições autárquicas, alegando a pandemia de Covid-19 como factor impeditivo, o Executivo angolano, suportado pelo partido MPLA, demonstra falta de seriedade. 

De acordo com a UNITA, prova concludente acaba de ser dada por Mário Pinto de Andrade, secretário para os assuntos eleitorais do Bureau Político do Partido no poder que veio a público confirmar o que a opinião pública já suspeitava, ao afirmar que Angola não tem condições para realizar as eleições autárquicas por causa da pandemia da Covid-19. 

De acordo com o comunicado da UNITA, o professor Mário Pinto de Andrade arrogou-se em contrariar os países africanos que já realizaram eleições, assumindo o maior “anacronismo histórico que um porta-voz de um partido com assento na Assembleia Nacional pode exibir”. 

Em face disso, o Secretariado Executivo do Comité Permanente da Comissão Política da UNITA informa que repudia e condena, categórica e veementemente, as declarações de Mário Pinto de Andrade, que de maneira alguma devem ser vistas como inocentes ou ingénuas. 

“Elas vêm confirmar a pouca ou nenhuma vontade política de concretizar um pressuposto incontornável para o desenvolvimento das comunidades locais que é a implementação das autarquias”, refere o comunicado. 

No entanto, o Secretariado Executivo do Comité Permanente da Comissão Política da UNITA entende que a Covid-19, apesar de ser uma realidade no mundo e em Angola, em particular, não deve paralisar a vida política do país. 

Mais coragem  

Para a UNITA, o Presidente da República, João Lourenço, e o seu Executivo precisam de ter a coragem de aprender com os bons exemplos de países como Cabo Verde, que, mesmo tendo neste momento mais infectados do que Angola, demonstra maior comprometimento com o bem-estar dos seus cidadãos. 

“Como prova disso, Cabo-Verde acaba de decretar formal e oficialmente, a convocatória das oitavas eleições autárquicas no Arquipélago, para Outubro de 2020, depois da auscultação que o Presidente da República fez junto dos Partidos Políticos e da Sociedade Civil”, sublinha a extensa nota. 

Para a UNITA, auscultar é, infelizmente, uma prática que pouco se espera da parte do actual Executivo. Em face disso, o partido apela a todas as forças vivas da sociedade, aos partidos políticos, as igrejas, associações, académicos, estudantes e cidadãos em geral, a não deixarem que um pequeno grupo queira atrasar a conclusão do Pacote Legislativo Autárquico e, deste modo, adiar para futuro indeterminado a institucionalização das autarquias locais. 

“Não dignifica nem prestigia os angolanos, que o nosso país seja o único da região da SADC que não realiza eleições autárquicas, quando líderes de países aparentemente menos capazes que Angola revelam-se mais comprometidos com as aspirações dos seus cidadãos”, atesta o comunicado. 

Segundo ainda a UNITA, negar as autarquias locais em Angola é tratar os angolanos como um povo menor e passar-lhe o certificado de cegueira, o que os angolanos refutam redondamente, por considerarem a inviabilização das autarquias um dos sinais mais evidentes da ditadura. 

Outrossim, espelha a nota, a UNITA assume que está pronta e determinada a tudo fazer junto e com todos os angolanos, fora e dentro do país, para que 2020, seja objectivamente o ano da definição e do compromisso nacional da realização das Autarquias, antes das eleições gerais de 2022. 

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