Carta do leitor: O primeiro sinal

Por: Varito Salomão
Kuito, Bié

Há muito que se tem falado sobre a realização ou não das eleições autárquicas este ano.

Quando se apontou 2020 num encontro em Benguela, pelo Presidente da República, João Lourenço, como o ano em que possivelmente poderiam ser realizadas, a ideia acabou por morar na cabeça de muitos angolanos.

É imperioso que se façam eleições no país. Não há dívidas. Mas, ainda assim, devemos convir que este ano não parece ainda o ideal para que se vá às urnas, nem que busque exemplos de outros pontos do mundo, como se cada país não tivesse as suas especificidades.

Contrariamente a Cabo Verde e outros países, eles não irão realizar o pleito pela primeira vez, nem têm a mesma população votante que a nossa.

Se no arquipélago bastam cinco milhões de dólares para a organização de todo o processo, entre nós o número será certamente superior, tendo em conta que se trata de uma operação que exige uma logística forte.

A não aprovação de todo pacote legislativo autárquico é o outro handicap. Nem mesmo que se aprove o pacote em Outubro teremos condições para que aconteçam em 2020.

Por isso, os partidos políticos devem começar conversações para se encontrar datas alternativas, até porque o crescente número de casos da COVID 19 não está descartada a possibilidade de se aderir a medidas mais apertadas para se salvar os angolanos.

Como disse em tempos o papa Francisco é preferível que se salve as pessoas e depois a economia. No nosso caso, devemos olhar para as pessoas e no próximo ano partirmos então para um processo melhor organizado e de que nos orgulhemos.

leave a reply