Doentes assintomáticos assistidos em casa, quando 1.572 estão confirmados, distribuídos em 13 províncias

As autoridades sanitárias registaram, nas últimas 24 horas, mais 34 casos positivos, 17 recuperados e três mortos, perfazendo um total de 1.572 casos positivos com 70 óbitos. Entretanto, 13 das províncias do país estão infectadas, numa altura em que os doentes assintomáticos serão tratados nas suas casas a partir do dia 15 deste mês, anunciou, ontem, o ministro de Estado e Chefe da Casa Civil do Presidente da República, Adão Almeida, e a ministra da Saúde, Sílvia Lutukuta

O ministro de Estado e Chefe da Casa Civil do Presidente da República, Adão de Almeida, realçou que a decisão resulta do aumento acelerado de casos positivos no país e da necessidade de se controlar a sua propagação.

Adão de Almeida esclareceu que isso só vai acontecer se a residência do cidadão em causa tiver as condições para o isolamento, evitando que coloque em causa o bem-estar dos demais membros da família, o mesmo deverá assinar um termo de responsabilidade no qual se compromete em cumprir o estipulado.

No entanto, o governante disse ainda que a violação da quarentena domiciliar está sujeita a uma multa que varia entre os 250 mil e 300 mil Kwanzas.

Por sua vez, a ministra da Saúde, Sílvia Lutukuta, reconheceu que o acompanhamento das quarentenas e isolamentos domiciliares vai ser um grande desafio e que a colaboração e mobilização de toda a sociedade é muito importante.

“Este acompanhamento vai ser feito ao nível local, ao nível do município, os profissionais de saúde, os ADECOS, comissões de moradores, administração municipal. Todas estas entidades terão responsabilidades no seguimento destes casos”, esclareceu.

Por outro lado, contou que este seguimento não tem de necessariamente ser presencial e todos os dias, sendo que será feito o recurso às tecnologias de informação para entrar em contacto com o doente.

“Está a ser criada uma linha de atendimento das pessoas nesta situação e, por acaso, temos estado a trabalhar com o Centro Integrado de Segurança Pública (CISP), que também terá outras competências neste pacote de seguimento dos pacientes”, contou.

A ministra da Saúde, Sílvia Lutukuta, que fazia a actualização dos dados sobre a pandemia no país, explicou que dos novos 34 infectados, todos são residentes da província de Luanda, com idades compreendidas entre 16 e 93 anos, dos quais 14 são do sexo masculino e 20 do feminino.

Mais três cidadãos morreram por Covid-19 nas últimas 24 horas

Em relação aos três cidadãos angolanos que morreram ontem, a ministra da Saúde disse tratar-se de doentes críticos com co-morbilidades descompensadas. Dois tinham idades de 58 e 64 anos e estavam internados na clínica Girassol.

Já o terceiro é um individuo de 52 anos de idade que estava internado a 18 dias no hospital da Zona Económica Especial.

Com estes dados, o país conta, actualmente, com 1.572 casos, com 70 óbitos, 564 recuperados e 938 activos, dos quais quatro estão em estado crítico com ventilação mecânica invasiva assistida, 20 em estado grave, entre os quais cinco a fazerem hemodiálise.

“É importante referir, que por essa altura, já temos 13 províncias afectadas com excepção da Huíla, Huambo, Namibe, Cuando Cubango e Lunda-Sul”, afirmou.

Entretanto, informou que os passageiros que vieram do Porto em Portugal a sua maioria obteve alta e apenas 15 aguardam pelos resultados dos testes de biologia molecular, porque foram reactivos ao teste serológico.

Mais um vôo humanitário com 286 passageiros provenientes de Lisboa chegou a Angola

A governante contou ainda que chegou na Sexta-feira, 7, deste mês, um outro vôo humanitário da TAAG com 286 passageiros proveniente de Lisboa, sendo que todos se encontram a cumprir a quarentena institucional.

A ministra da Saúde, Sílvia Lutukuta, recordou que continuamos em estado de calamidade com circulação comunitária do vírus na província de Luanda e continuamos a ter um aumento de casos no país, e, por está razão, há necessidade de reforçar as medidas de protecção individual e colectiva.

“Temos que reconhecer que o número de casos aumentou consideravelmente, nos últimos tempos, que a nossa estratégia de abordagem da Covid tem que ir até aos cuidados primários de saúde, porque temos várias portas de entradas, os postos médicos, os centros de saúde, temos hospitais de vários níveis. Níveis primários, municipais, secundário e de nível terciário”, frisou.

Salientou que aumentou o leque de portas de entrada de doentes nos hospitais, mas estes não estão abandonados, porque os profissionais estão a fazer um esforço abnegado no sentido de tratarem os pacientes.

“Nós não vamos fazer parte da experiência das vacinas, afirmou a ministra

Quanto às vacinas, Sílvia Lutukuta fez saber que estão todas em fase experimental e “nós não vamos fazer parte da experiência das mesmas, mas vamos acompanhar as orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS). Quando as vacinas estiverem já aprovadas, claro que o país também vai adquirir”.

No entanto, frisou que a OMS fez a promessa da facilitação de aquisição de vacinas para todos os países de forma equitativa. O Estado de Calamidade Pública que Angola vive desde o dia 26 de Maio, com término previsto para Quinta-feira (14 de Agosto), deverá vigorar até ao dia 8 do mês de Setembro, em virtude da sua prorrogação. O anúncio foi feito, ontem, pelo ministro de Estado e Chefe da Casa Civil do Presidente da República, Adão de Almeida.

Doentes críticos que morreram nos centros de referência

A ministra da Saúde, Silvia Lutukuta fez saber que os doentes críticos que foram a óbito estiveram em centros de referência, na sua maioria. “Os nossos médicos estão a seguir os protocolos internacionais mas, infelizmente, os doentes quando chegam àquela fase grave, estádio três já se torna irreversível”, disse.

Em relação à capacidade de testagem, contou que, por esta altura, estão com uma capacidade média de 1000 testes por dia por RT-PCR e aumentou a capacidade do ponto de vista de testes serológicos, sendo que já têm mais de 80 mil pessoas com testes serológicos. Desta forma, temos estado a melhorar a nossa performance de diagnóstico”, salientou.

Disse ainda ser imprevisível saber quantas pessoas vão entrar em quarentena institucional, porque, por um lado, estão os angolanos que têm de regressar ao país e, por outro, tem os contactos dos casos positivos e outros casos suspeitos que vão entrar em quarentena.

“Há cenários que apontam que até em Setembro teremos entre 17 mil e cerca de 45 mil casos, portanto, todos estes casos vão gerar contactos e já estamos a imaginar quantas pessoas irão entrar em quarentena, dependendo dos agregados que temos”, disse.

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