E assim…Em 2022, quem vai gostar?

A rapidez com que se inventam campanhas e slogans nas redes sociais serviriam para inúmeras teses de mestrado em comunicação. Se a criatividade empenhada fosse a mesma em determinados aspectos da nossa vida política, económica e social, sem dúvidas que Angola talvez fosse hoje um dos melhores países do mundo para se viver.

Houve uma fase em que se pregava o ‘acaba de me matar’. O que antes era para contestar o aumento dos preços de bens alimentares acabou por dar lugar a um festival de ‘moribundos’ quase que asfixiados por blocos de betão, papéis e todo tipo de instrumentos.

Mas, sem os dados estatísticos dos resultados daquela ‘chacina facebookiana’, inventou-se os ‘homens do saco’. Com modelos de arrepiar, cuja criatividade esperava-se até ofuscar os traços refinados e requintados com assinatura de estilistas renomados como Nadir Taty, Lisete Pote, Pano Vivo ou Tekassala.

Talvez até mesmo monstros da moda como Gaultier, Cardin, Versace e Chanel se tivessem sentido incomodados com tamanha ousadia dos nossos ‘revús’ do plástico. Nesta fase de Covid-19, o génio criativo brinda-nos com mais uma: ‘em 2022, vais gostar’.

Não tenho nada contra. Aliás, é bom que se evidencie a democracia em vários moldes, mas faz espécie que indivíduos com responsabilidades acrescidas se tenham envolvido em tal surrealismo político.

Nesta Segunda-feira, desmontou-se, através do Facebook, um apelidado ‘Gabinete do Ódio’ no Brasil, cuja titularidade tem sido atribuída à família Bolsonaro, com a responsabilidade de criar falsos perfis para se derrubar os adversários políticos.

O mais surreal, nestes dias de ‘em 2022 vais gostar’, foi ver até parlamentares de um e do outro lado a publicarem resultados de sondagens daquilo que irá ocorrer dentro de dois anos. A disparidade de resultados levam a concluir que se tratava mesmo de brincadeira, embora os rostos que os divulgavam nos vendam sempre a imagem de seriedade.

Uma sondagem deve ser acompanhada sempre da respetivas ficha técnica para que se consiga, no mínino, algum crédito. O que parece ter passado despercebido, mesmo que se queira vender determinadas ilusões nas redes sociais.

Sem alguma fiabilidade, não há dúvidas de que só mesmo em 2022 é que se poderá ver quem afinal vai gostar. Num país em que apenas 20 por cento tem acesso à Internet, o melhor é investir no terreno. E não confiar no que esteja, talvez, armazenado na nuvem.

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