Editorial: Más notícias do Uíge

Jornal OPaís edição 1923 de 08/08/2020

Quanto mais os anos passam, mais se percebe da falta de boa governação e transparência por parte de alguns gestores públicos. Mudaram-se os tempos, mas nem por isso conseguem alterar também a forma de ver a vida.

Os processos-crimes como os casos 500 milhões de dólares, Conselho Nacional de Carregadores e outros em curso, que levaram ex-gestores à cadeia e condenados a pagarem indemnizações, são vistos como filmes de ficção por aqueles que não conseguem encarar a realidade tal como ela é.

Só assim se pode perceber que três anos depois de se ter dado o mote para um novo modelo de governação, com um timoneiro que vai apregoando, insistentemente, nos seus discursos, seja ao nível do partido que lidera como do próprio Executivo, ainda surjam casos que envolvam administradores comunais, municipais, governadores e gestores de empresas do sector público focados em prejudicar o próprio Estado.

As dificuldades económicas que o país vive não inibem o apetite de quem está habituado a fazer do bem público o esteio para uma vida assente na ostentação de riqueza. A tomada de medidas mais duras, acompanhadas de outras que façam com que estes indivíduos nunca mais encontrem amparo, por exemplo, no sector público, devem começar a ser equacionadas para que não se olhe para a corrupção como uma questão de cultura dos angolanos.

O que se viu no Uíge, em que se voltou a inscrever um centro Materno-Infantil reabilitado no Programa Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM), por parte de alguns gestores locais, é uma demonstração clara de que muitos vícios querem resistir aos ventos da mudança.

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