O roteiro do cidadão que levou a Covid-19 a Benguela

Furar a cerca sanitária de Luanda, o epicentro da Covid-19 no país, está a ser encarada por alguns cidadãos como a saída para se prevenirem desta doença que já ceifou a vida de mais de 60 angolanos. Outros há que o fazem com o objectivo de cumprir com alguma actividade laboral ou comercial. Porém, independentemente do motivo, deste modo têm contribuído para que o vírus SARS-CoV se espalhe por Angola

No dia em que o país registou um novo recorde na quantidade de casos (88) positivos de Covid-19 diagnosticado em 24 horas, os habitantes do município do Cubal, província de Benguela, passaram a ter a necessidade imperiosa de cumprirem “à risca” os métodos de prevenção.

Tudo porque um cidadão, de 21 anos de idade, residente no Kilamba Kiaxi, em Luanda, decidiu regressar à sua terra natal nesta época em que qualquer pessoa é potencial portadora do Coronavírus.

Para o efeito, violou a cerca sanitária imposta à cidade capital e entrou em Benguela transportado por um camião, entre a mercadoria. Após ter chegado à província, isto no dia 24 de Julho, ainda nos arredores do Cubal, contactou, por via telefónica, o seu pai.

Este, de imediato, lhe teria orientado que não se movimentasse, aconselhando, porém, a permanecer no local em que se encontrava, enquanto ele reportava às autoridades sanitárias a presença do filho, vindo de uma cidade sintomática.

Movidos pela denúncia do progenitor, os técnicos de saúde deslocaram-se à localidade onde o cidadão se encontrava e levaram-no para a unidade de quarentena institucional no Cubal.

Postos na sede do município, foi submetido a um teste rápido cujo resultado foi reactivo ao IGM. Tornou-se elevada a possibilidade de Benguela entrar no gráfico epidemiológico da Covid-19 em Angola. “E fruto deste resultado enviámos para a Luanda para que fosse feito o RTPC. Quinta-feira recebemos a comunicação de que é (era) positivo”, disse.

Neste momento, o paciente diagnosticado com Covid-19 recebe assistência médica e medicamentosa na unidade de tratamento da Catumbela.

Aliás, esta unidade, com 18 camas e sete aparelhos de ventilação mecânica, foi criada a pensar justamente em possíveis casos que fossem registados em Benguela.

O paciente é assintomático, logo, segundo esclarece Manuel Cabinda, não precisa de ventilador.

Benguela com cinco casos suspeitos

Manuel Cabinda revelou que a sua área de jurisdição tem, neste momento, cinco casos suspeitos.

Por esta altura, alguns técnicos de saúde encontram-se no município do Cubal a desenvolver um trabalho de saúde pública, visando determinar o vínculo epidemiológico.

Neste particular, a informação preliminar de que o também coordenador técnico de saúde pública em Benguela dispõe aponta para poucos contactos.

“Mas são informações que continuamos a apurar”, advertiu, prudentemente. Na perspectiva de Cabinda, ainda não há razões justificativas para sujeitar o Cubal a uma cerca sanitária, todavia os resultados do trabalho de investigação em curso serão determinantes.

Se for necessário a cerca, far-se-á, seguramente. “Um dos critérios tem que ver com o número de pessoas com quem teve contactos, os testes que serão feitos localmente (número de pessoas reactivas ou não)…e vão influenciar as medidas que a gente irá tomar”, esclareceu.

Em seu entender, é imperioso, em função das sistemáticas violações, reforçar a segurança no posto de controlo da Kanjala, no município do Lobito. “Temos estado a detectar vários cidadãos naquele posto”, pontualiza o responsável.

Constantino Eduardo, Benguela

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