Oposição marfinense contraria 3º mandato para Ouattara

A decisão do presidente da Costa do Marfim, Alassane Ouattara, de concorrer a um terceiro mandato viola a Constituição e desestabilizará um país que ainda está a recuperar da guerra civil, disseram os seus oponentes, na Sexta-feira

Num discurso na noite de Quinta-feira, Ouattara voltou atrás na promessa anterior e disse que concorreria na eleição de 31 de Outubro, levantando acusações de que está a seguir os passos de outros líderes africanos que manipularam constituições para permanecer no poder.

A lei da Costa do Marfim limita os mandatos presidenciais a dois, mas Ouattara diz que uma nova constituição adoptada em 2016 agiu como um botão de reinicialização, permitindo que ele concorresse novamente.

Mesmo antes do anúncio de Ouattara, a eleição foi vista como um teste severo à estabilidade da Costa do Marfim. A primeira vitória de Ouattara em 2010 desencadeou uma breve guerra civil que matou cerca de 3.000 pessoas, quando o seu antecessor Laurent Gbagbo se recusou a aceitar a derrota.

 Os políticos daquela época, incluindo Gbagbo, ainda disputam o poder e influência, o que reavivou velhas tensões políticas.

“O presidente Ouattara está a lançar as sementes da desestabilização da Costa do Marfim”, disse Maurice Kakou Guikaoué, secretário executivo do opositor Partido Democrático da Costa do Marfim (PDCI) à Radio France Internationale (RFI).

Uma importante coligação da sociedade civil convocou protestos em todo o país, mas os políticos da oposição não o fizeram, sugerindo que usariam meios pacíficos e democráticos para bloquear o caminho de Ouattara.

 Jean-Louis Billion, outro alto funcionário do PDCI, cujo candidato presidencial é o ex-presidente Henri Konan Bedie, disse à RFI que caberia ao Conselho Constitucional determinar se Ouattara poderia concorrer.

Salvo alguns protestos pequenos e isolados, as ruas da capital comercial da Costa do Marfim, Abidjan, estavam calmas, na manhã de Sexta-feira. Ouattara disse que foi forçado a concorrer e que a sua decisão não foi uma tomada de poder.

O seu candidato escolhido para representar o partido no poder em Outubro, o primeiro-ministro Amadou Gon Coulibaly, morreu inesperadamente no mês passado, levando os membros do partido a instar Ouattara a concorrer novamente.

O mandato de Ouattara viu uma relativa estabilidade retornar à Costa do Marfim, o maior produtor mundial de cacau, enquanto a economia cresceu num dos níveis mais rápidos de África. Um executivo do sector bancário disse que os investidores vêem Ouattara, um exfuncionário sénior do Fundo Monetário Internacional, como alguém que pode garantir a estabilidade.

“Com Ouattara, não é um salto no escuro. Ele inspira confiança e isso tranquiliza os investidores ”, disse o executivo, que pediu para não ser identificado.

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