Young Artists Of Angola apresenta Exposição Colectiva Virtual “Do Kubico Para o Mundo” 

A mostra, visando incentivar a criatividade e produção intelectual em tempos de crise, envolve sete jovens artistas angolanos. A mesma inclui desenho, pintura, instalação, fotografia, foto-performance e vídeo-performance, um projecto resultante de uma Residência Artística Online, realizada durante a primeira e a segunda fases do Estado de Emergência no país 

“Do Kubico Para o Mundo” é o título da mais recente Exposição Virtual, Colectiva dos artistas, Agostinho Ngola, Dina Luzano, Fischer Dos Santos, Ima Tchitanga, Isabel Landama, Marisa Kingica e Nefwani Junior a ser apresentada na próxima Quarta-feira, 14 de Agosto, às 18 horas, em Luanda. 

A mostra, com a curadoria de Nefwani Júnior, que também é um dos artistas participantes, inclui obras de pintura mista sobre tela, mista sobre contraplacado, acrílico sobre cartão, lápis sobre papel, marcador sobre papel, instalação, fotografia, foto-performance e vídeo-performance em diferentes tamanhos, sendo as de 30×40 e 42.5×30 centímetros as mais pequenas, e as de 120×60 a 120×100 centímetros as de grande dimensão. 

O projecto focado nas experiências e situações vividas em tempos de emergência causada pela pandemia Covid-19 no país e no resto do mundo, visa incentivar a criatividade e a produção intelectual em tempos de crise, levantar uma reflexão sobre situações do contexto actual, através da arte e apresentar uma sugestão ou opção de colaboração artística à distância. 

A exposição “Do Kubico para o Mundo” é o resultado de uma residência artística feita em colaboração à distância, em que os processos de criação das obras eram partilhados num grupo criado na Internet, durante a primeira e segunda fases do Estado de Emergência decretado no país, o que levou a maioria dos artistas ao confinamento domiciliar. 

Para o curador Nefwani Júnior, pensar produção artística em tempos de crise e de caos social, pode ser para os artistas uma oportunidade para experimentar outros meios e possibilidades de fazer e mostrar a sua arte. 

Entre o medo e a incerteza, a arte desempenha um grande papel em momentos de caos, e a produção das obras que compõem esta exposição reflectem essas incertezas e a luta pela sobrevivência na nossa sociedade e no mundo. 

“Temos pintura (em técnica mista) de quatro artistas, mas a exposição não estará dividida em áreas, as obras estão distribuídas consoante os temas e todas formam um discurso. Por exemplo, temos uma artista que apresenta uma pintura e a segunda obra é vídeo-performance. No caso específico das instalações, as dimensões são variáveis consoante o espaço”, disse. 

Nefwani Júnior referiu que o conjunto de obras desta exposição, apesar de ser colectiva, estão ligadas através de temas e a sua montagem no espaço (sala virtual) formam um discurso desde a primeira até à última obra. 

“Sendo uma exposição com obras muito conceptuais, os mais atentos no que diz respeito às artes visuais ficarão pela expografia, técnicas, conceitos e outros ficarão apenas na procura do belo”, sustentou. 

O curador salientou que no caso concreto da pintura, nenhuma obra a ser exposta está no seu estilo tradicional, mas apenas em técnicas mistas como acrílico e colagem sobre cartão, óleo e colagem sobre cartão, óleo e colagem sobre contraplacado, acrílico sobre cartão, e acrílico e colagem sobre tela. 

Realçou que apenas uma pintura foi feita em tela, um meio convencional, que também foi adicionado à colagem. “Incentivamos o uso de qualquer meio disponível ou encontrado devido à falta de materiais e sem a possibilidade de sair para procurar em lojas, lojas fechadas e sem direito à circulação no Estado de Emergência”, concluiu. 

Percurso dos artistas 

Ima Tchitanga nasceu em Luanda, Angola, mora e trabalha em Luanda. Actualmente, frequenta a licenciatura em Artes Visuais no Instituto Superior de Artes (ISART) e já participou em vários projectos desde 2018, nomeadamente “Africa Science Week”, Casa Rede (2019), “Work In Progress”, ISART (2019), “Projecto Educa Angola” (2018-2019). 

Isabel Landama nasceu em Luanda, Angola, mora e trabalha em Luanda. Frequentou a licenciatura em Artes Visuais no Instituto Superior de Artes (ISART), em Luanda, entre 2016 e 2019. 

Participou em diversas exposições colectivas, entre as quais “Nuances no Feminino” na Casa da Cultura do Rangel–Njinga A Mbande (2020); “Emancipação” na Galeria Tamar Golan (2020); “The Bunker 2” no Espaço D’Arte (2020); “The Bunker” no Memorial António Agostinho Neto (2019) e “Passos Presentes, Pegadas Futuras” no ISART (2018). 

Marisa Kingica nasceu em Luanda, Angola, mora e trabalha em Luanda. É licenciada em Artes Visuais pelo Instituto Superior de Artes (ISART) de Luanda. Participou em diversas exposições colectivas, entre as quais “Nuances No Feminino” na Casa da Cultura do Rangel – Njinga A Mbande (2020); “Exposição Multicultura” no Espaço D’Arte (2019); “Amostra do Festival de Artes Performativas” no Hotel Palmeiras (2019) e “IX bienal da CPLP” no Museu das Forças Armadas (2018).  

Dinna Luzano nasceu em Luanda, Angola, mora e trabalha em Luanda. Frequentou a licenciatura em Artes Visuais no Instituto Superior de Artes (ISART) de Luanda, entre 2016 e 2019. Participou em diversas exposições colectivas, entre as quais “The Bunker 2” no Espaço D’Arte (2020); “The Bunker” no Memorial António Agostinho Neto (2019) e “Passos Presentes, Pegadas Futuras” no ISART (2018). 

Os conceitos das suas obras giram em torno dos temas sobre a vida, a decadência, a mulher e a violência sobre a qual muitas delas (mulheres) são expostas. Com as suas obras leva as pessoas a reflectirem e a olharem para outras pessoas mais vulneráveis na nossa sociedade. 

Agostinho Ngola nasceu em Luanda, Angola, mora e trabalha em Luanda. É artista auto-didacta, do estilo multifacetado. Participou em vários projectos no colectivo “Mwini Artes”, nomeadamente “Um (Último) Abraço”, Imbondeiros do Sequele (2019), “Sentido Contrário”, Atelier Umbangu Ku Mosi (2019). “África Angolana”, Atelier Umbangu Ku Mosi (2019 e 2018); “Projecto Mil Lápis” Cazenga (2017) e outros. 

Desenhador, pintor, grafiteiro, cartoonista, ilustrador, banda desenhista e muito mais, trabalha com vários meios e várias disciplinas. 

Com a sua arte sonha em pintar o mundo. Fischer Dos Santos nasceu em Luanda, Angola, mora e trabalha em Luanda. Frequentou a licenciatura em arquitectura e urbanismo na Universidade Técnica de Angola (UTANGA) em Luanda. Participou no projecto Blue Polpa com a Refriango e foi um dos vencedores (2014). 

Fez parte dos artistas participantes na Residência Artística “Emergência”. Com um grande talento no desenho adquirido por auto-didactismo e uma formação em arquitectura, retrata pessoas do seu tempo e de outros tempos. 

Usando a sublime beleza da textura visual resultante do casamento do lápis com o papel, dando à luz, não só retratos, mas também paisagens em perspectiva 

Nefwani Junior nascido em Mbanza Kongo, mora e trabalha em Luanda. Frequentou a licenciatura em artes visuais no Instituto Superior de Artes (ISART) de Luanda, entre 2016 e 2019. 

Participou em diversas exposições colectivas, entre as quais “Qual Futuro” Expo Virtual, LabCC (2020); “The Bunker II – Operação Sky One”, Espaço D’Arte (2020) e “The Bunker”, Memorial António Agostinho Neto (2019). Em 2019, participou no Decolonial Performance LabElinga Teatro e “(Último) Abraço aos Imbondeiros do Sequele” – Performance. Em 2018, participou na exposição volume II. 

Passos Presentes, Pegadas Futuras, ISART, Kilamba e trabalhou na Pintura Mural em novos Viadutos de Luanda. Sem limitações em termos de suportes ou meios de expressão, linguagens artísticas desde as mais tradicionais como o desenho, a pintura e a escultura, até às surgidas a partir da evolução tecnológica, como a fotografia, cinema, vídeo e também outras como instalação e performance. 

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