E assim…A ‘nova’ camarada

O dia de ontem ficou marcado pela ascensão de Joana Lina ao cargo de primeira secretária do MPLA em Luanda, em substituição do jovem Sérgio Luther Rescova, que no mesmo momento seria elevado ao posto de primeiro secretário no Uíge, sua terra natal.

Era mais do que previsível que Joana Lina atingisse tal posição. Há muito que o partido no poder preteriu a hipótese de ter numa mesma província um secretário provincial que não fosse igualmente governador da província. As poucas vezes que tentou, a experiência fracassou, tendo existido casos de choques entre governadores e primeiros-secretários.

A ascensão de Joana Lina não deixa de levantar determinadas curiosidades. Não por ser a primeira mulher a gozar de tal proeza, em Luanda, mas sobretudo por estarmos a um ano e quatro meses de 2022, altura em que o país deverá regressar às urnas para caucionar a continuidade ou não do Presidente João Lourenço e do seu partido na condução dos destinos do país.

É verdade que uma máquina como a do MPLA, que está a mil quilómetros de distância das que possuem os seus principais adversários políticos, poderia até mesmo ser manejada por quem não percebesse nada de política, mas o fardo que se deposita na actual primeira secretária não deixa de ser muito pesado.

Mesmo que os ‘maninhos’ na capital estejam amorfos nesta fase, a defesa dos resultados anteriores de Luanda exigirão mais do que um curriculum brilhante. Verdade seja dita, a Joana Lina quase que não falta nada para que feche com chave de ouro a sua história junto do MPLA.

Antes mesmo da estreia governativa feita já no período lourencista, no Huambo e agora em Luanda, no consulado eduardista era uma das mais poderosas dirigentes do partido. É a esta economista que passava quase tudo o que estivesse relacionado com a administração e as finanças do maior partido do país. É obra!

Até ao momento, não lhe é reconhecida a mesma capacidade de mobilização política dos seus antecessores, no caso Bento Bento, Higino Carneiro, Adriano Mendes de Carvalho ou até mesmo o mais novo Sérgio Rescova.

E hoje será necessário muito mais, tendo em conta a diferenciação do eleitorado. Há três anos, os números em Luanda foram de 1.016.655 votos, correspondendo a 48, 20 por cento para o MPLA, e 748.839 votos para a UNITA. Caso se pretenda manter ou melhorar as cifras, é necessário que se dê à nova secretária o mesmo espaço de actuação política que tiveram os seus antecessores.

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