Sindicatos revelam que há profissionais de saúde a trabalhar sem protecção contra a Covid-19

“Foi com desagrado que constatamos o incumprimento das medidas de biossegurança em todas as unidades hospitalares do país, embora reconhecemos que em algumas instituições estavam melhor do que as outras”, afirmam os membros do Fórum de Concertação Sindical do Sector da Saúde (FCSSS).

Os sindicatos do sector da saúde declaram, em nota de imprensa a que OPAÍS teve acesso, que os equipamentos de protecção contra a Covid-19 não cobrem as necessidades reais do país, o que faz com que muitos profissionais do sector trabalhem desprotegidos.

Os sindicatos do sector da Saúde, membros desta plataforma filiada à UNTA-CS, reconhecem que foi feito um investimento muito grande na aquisição dos meios de protecção, mas consideram insuficientes.

Esclarecem que puderam constatar este deficit em função de um trabalho realizado por várias equipas desta associação.

“As equipas, integradas por profissionais e membros afectos aos sindicatos, realizaram visitas em diferentes unidades de saúde do país, com o objectivo de avaliar o grau de implementação do plano [Nacional de Contingência para o Controlo da Pandemia da Covid-19]”, diz.

Os membros do FCSSS dizem que têm estado a acompanhar com muita atenção as acções levadas a cabo pela direcção do Ministério da Saúde, bem como as desenvolvidas no âmbito da Comissão Multissectorial de Prevenção e Combate à Covid- 19, congratulando-se com a sua implementação em diferentes fases.

Em relação aos meios em falta, constataram a inexistência ou escassez de luvas, máscaras, gorros, óculos, batas descartáveis, álcool gel, sabão, papel higiénico e água em muitas unidades sanitárias.

“Paralelamente ao acima exposto, verificamos a falta de medicamentos, tais como soros, fármacos diversos, seringas, fios de sutura, anestésicos, sistemas, brânulas, sacos colectores, aventais, argalbas, etc”, explicaram.

Quanto às condições existentes nos laboratórios, os sindicatos dizem ter constatado que estão quase inoperantes os que se encontram instalados nos hospitais primários e secundários a nível nacional.

Segundo os sindicatos, limitam- se a realizar pesquisa de paludismo. Apesar de muitos laboratórios terem meios de diagnósticos de ponta, estes não funcionam por falta de reagentes.

A título de exemplo, afirmaram que em relação os exames imagiológicos, em Luanda apenas o Hospital Pediátrico David Bernadino realiza exames da TAC, sendo que nenhum de nível terciário possui um aparelho de ressonância magnética em plenas condições, o que tem dificultado o diagnostico de diversas patologias.

Falta comida nos hospitais para profissionais e pacientes

Os sindicalistas garantem ainda que, dada a realidade do momento, observaram uma gritante falta de alimentação nas unidades sanitárias do país, quer para os profissionais de saúde, assim como para os pacientes internados.

A situação tem dificultado o funcionamento e atendimento das populações e obrigado os trabalhadores a abandonarem os postos de trabalho para procurarem alimentação fora dos locais de trabalho.

Além de analisarem os relatórios das visitas realizadas em todas as instituições sanitárias do país, os sindicatos pertencentes ao FCSSS abordaram, durante a reunião realizada no dia 4 do corrente mês, na sede da UNTA-CS, a transferência do médico especialista em pediatria Adriano Cristóvão Manuel, do Hospital Pediátrico de Luanda para o Ministério da Saúde.

A medida surgiu na sequência de uma entrevista que Adriano Manuel, na qualidade de presidente do Sindicato Nacional dos Médicos, concedeu ao jornal OPAÍS. Para os sindicalistas, a transferência é “uma clara e grosseira violação do artigo 33º da Lei nº 21-D/92, de 28 de Agosto – Lei Sindical”.

“A luz da solidariedade sindical, repudiamos tal conduta que configuramos de antidemocrática, contrária a um Estado que se pretende cada vez mãos democrático e de direito”, lê-se no documento. Entretanto, apelam aos promotores de tal acto que recuem da decisão, permitindo o retorno de Adriano Manuel ao posto de trabalho que vinha ocupando, sob pena de recorrerem aos mecanismos legais previstos na Constituição e demais legislação.

O documento é subscrito pelo Sindicato Nacional dos Enfermeiros de Angola (SINDEA), Sindicato Nacional dos Médicos de Angola (SINMEA), Sindicato Nacional Independente dos Trabalhadores da Saúde e Função Pública (SNITSFP) e do Sindicato dos Técnicos de Enfermagem de Luanda (SINTENFL). O grupo realiza amanhã uma conferência de imprensa na sede da UNTA-CS.

leave a reply