Angola alcança 100 casos de covid num dia

Nas últimas 24 horas, as autoridades sanitárias detectaram mais 100 novos casos de Coronavírus (SARS-CoV2), com mais cinco mortes, perfazendo, um total de 75 mortes, revelou, ontem, o secretário de Estado para a Saúde Pública, Franco Mufinda

O país atingiu um novo record ao detectar o maior número de infectados num só dia, desde que se confirmaram os primeiros casos de Covid-19. Nas últimas 24 horas, 100 novos casos foram registados, que elevam a cifra para um total de 1.672, dos quais 75 resultaram em óbitos, 1.567 estão recuperados e 1.030 são casos activos. Em relação aos pacientes detectados ontem, o governante explicou que 82 são do sexo masculino e 18 do sexo feminino, todos eles com idades compreendidas entre os 10 e 83 anos.

Franco Mufinda, que falava na habitual actualização diária do ponto de situação epidemiológica no país, esclareceu que entre os 100 novos casos positivos consta um de Benguela e igual número no Soyo (Zaire), ambos envolvendo cidadãos que violaram a cerca sanitária de Luanda e o restante distribuídos em várias localidades de Luanda. Quanto aos óbitos, explicou que se trata de cinco cidadãos angolanos com idades com idades de 59, 65, 64, 71 e 82 anos que apresentavam quadros descompensados por co-morbilidades e que tiveram como desfecho o óbito. Os mesmos pacientes estavam internados nas clínicas Sagrada  Esperança, com um, Girassol, com dois, e nos hospitais da Zona Económica Especial (Viana) e da Barra do Kwanza, ambos com um caso cada. Entretanto, contou que ainda ontem foram recuperados mais três pacientes, recordando que a província de Luanda tem a situação comunitária do SARS-CoV-2 e continuamos no Estado de calamidade pública ao nível nacional com o reforço das medidas que foram avançadas, recentemente, para a protecção da vida. “O que se preconiza, na verdade, é cortar a cadeia de transmissão do vírus e reduzir o seu impacto na sociedade e na economia”, frisou.

Uso da máscara no carro mesmo estando sozinho é obrigatório

Por outro lado, Franco Mufinda esclareceu que a medida do uso da máscara nas viaturas mesmo sendo o único ocupante é obrigatório, e acaba por ter o seu embasamento científico pelo facto de, por um lado, uma pessoa poder estar infectada, sendo assintomática ou sintomática e a mesma estar a respirar, tossir ou até expirar, o que pode haver uma libertação de partículas ricas em vírus que é um agente biológico e este pode ficar em qualquer ponto da viatura. Segundo o responsável, o ar condicionados pode ser um deposito deste agente biológico do vírus do SARS-CoV-2 e ao ligar o ar condicionados pode-se estar a activar este agente biológico e expor a vida de quem pode por dentro estar. “Daí a razão de estando exposto fazer sempre o recurso à máscara e o mesmo acontece com as janelas da viatura baixadas. O assunto ata-se com a exposição e a protecção individual por um lado e pela extrapolação colectiva”, explicou.

Covid-19 com alta taxa de letalidade dos doentes de risco, entre eles jovens obesos

Por sua vez, o especialista em medicina intensiva do Hospital Américo Boavida, Fortunato Silva, explicou que o país vive uma crise de saúde pública e chamou a atenção de vários agentes para o seu controlo. Entretanto, explicou que o vírus é invisível, mas não imortal e se consegue eliminar rapidamente com o álcool a 70 por cento e conhecer a doença é fundamental, porque ela não tem cura e nem vacina disponível, mas tem uma alta taxa de letalidade dos doentes de risco (hipertensos, diabéticos, com imunodeficiências, drepanóciticos, pessoas obesas,entre outros). Por outro lado, contou que tem alto grau de infecciosidade que é estabelecido pela taxa de reprodução. Por exemplo, disse que um individuo infectado pode contaminar quatro pessoas e essas quatro 16, e, assim, sucessivamente, multiplicando e se não são tomadas as medidas de distanciamento social no sentido de abrandar a curva, provavelmente se pode ter uma alta taxa de infecção ao nível nacional.

Indivíduos infectados pela Covid-19 após recuperação não estão imunes

A afirmação é do médico Fortunato Silva, que disse que um individuo infectado após recuperação não está imune a uma nova infecção e isso deixa sequelas. Entretanto, contou que o período de incubação do vírus têm uma média de cinco dias e após esse período começam os sintomas clínicos e os mais frequentes são a febre os sintomas respiratórios, especialmente tosse seca num período que pode desenvolver-se em 80 por cento dos casos em duas semanas. “Quando o individuo começa com dificuldade respiratória e opressão no peito é sinal que tem já uma pneumonia e deve, imediatamente, contactar o serviço nacional de saúde que funciona 24/24 horas para ser resgatado”, alertou.

Fez saber que no doente grave se estabelece a infecção pulmonar que surge em 15 por cento dos casos e, habitualmente, é no período de uma semana, após o início dos sintomas, podendo demorar entre três e seis semanas. No entanto, explicou que o paciente crítico, que geralmente constitui cinco por cento dos doentes infectados, é o doente que tem a pulmonia grave com extrema dificuldade respiratória e défice de oxigenação do sangue. Disse que tem o chamado síndrome de resposta inflamatória aguda que podem apresentar disfunção cardíaca, renal e de outros órgãos, devendo estes estar internados em cuidados intensivos. Em relação ao tratamento frisou que não existe nenhum tratamento eficaz para a Covid-19 e as únicas medidas são as de prevenção.

Cerca de 200 doentes de Covid-19 admitidos na clínica Sagrada

Esperança Já o especialista em medicina intensiva da Clínica Sagrada Esperança, Esmael Tomás, que contou a experiencia da sua clínica, explicou que durante esse tempo, desde o surgimento da pandemia, ganharam e continuam a ganhar experiências, salientando que hoje estão bem mais preparados para lutar contra a pandemia da Covid-19. Entretanto, anunciou que por essa altura estão perto dos 200 doentes admitidos com Covid-19, dentre os quais, e não fugindo às séries, a grande maioria dos doentes tem sintomatologia leve ou seja, são assintomáticos e simplesmente têm febre com pequenos sintomas respiratórios altos. “Uma pequena parte, perto de 50 doentes, evoluiu com critérios de gravidade. São considerados doentes graves com uma pneumonia que envolve os dois pulmões e que ocasiona dificuldade respiratória”, disse. Por outro lado, disse que uma das medidas que têm mostrado sucesso em várias séries é a colocação do doente em decúbito ventral, ou seja, doente deitado de barriga para baixo associado ao oxigénio. “Doentes com pulmonias graves conseguem oxigenar melhor e tem tido óptimos resultados e nós confirmamos essas experiências no nosso centro”, afirmou. Disse ainda que uma outra medida associada a essas doenças é terem atenção às co-morbilidades dos pacientes e estabilizar.

 

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