E assim…Congresso da LIMA

A cobertura de actividades políticas levou-nos, ao longo dos anos, a conhecer várias pessoas. Entre líderes políticos e aspirantes, a lista é quase infinita. Manuela dos Prazeres Kazoto, a candidata derrotada nas eleições da Liga da Mulher Angolana (LIMA), o braço feminino da UNITA, foi uma das pessoas que conhecemos logo após o fim do conflito armado no país. Faz parte de um grupo de jovens jornalistas provenientes das matas, com passagens pela Vorgan, Rádio Despertar e a Agência Kwacha Press. Kazoto sempre foi uma pessoa polida.

Parca em palavras. Não é daquelas que se atira facilmente aos arames, como se diz, nem esperava vê-la nestes termos agora. Há algumas semanas que fomos acompanhando a campanha que empreendera para tentar substituir a reconduzida líder da LIMA, Helena Bonguela Abel. Os seus desabafos, depois de terminado o congresso, em que perdeu para Bonguela, deviam ser encarados com seriedade. Uma das bandeiras da UNITA tem sido a realização de congressos com múltiplas candidaturas. Isso tem servido de bandeira, quase sempre, para espicaçar os seus adversários, mas não se pode adivinhar que nos bastidores existam coisas menos coerentes.

Ao trazer a público afirmações de que nas eleições desta semana ocorreram maracutaias, a candidata derrotada poderá colocar em cheque todo um capital que os ‘maninhos’ têm tentado construir supostamente como sinónimo de transparência. É certo que, tal como profetizara Stuart Mills, no seu princípio do dano, compete a quem acusa provar que tenham existido acções que possam ter ferido o processo e influenciado os próprios resultados. Mas, ainda assim, em nome da verdade, seria bom que a direcção da UNITA, encabeçada por Adalberto Costa, apurasse inicialmente o que se passou.

Talvez, só depois disso, conferisse posse à candidata eleita. Mesmo que se diga que os desabafos tenham como base um mal-estar provocado pela derrota, os estragos já estão feitos, sobretudo para quem também quer ser poder e usa como divisa uma pretensa democracia no seu seio. Apesar de ter acompanhado os vários congressos desde o fim do conflito, não me lembro de num deles alguém ter enchido o peito para dizer: ‘a UNITA é a escolha da democracia. Não deve compactuar com vícios. Portanto, não concordo com os resultados deste congresso’. Haja mulher!

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