“Mix” clássico e tradicional assinala registo da Orquestra Camerata no Show do Mês Live

A fusão da música clássica e da música tradicional marcou o registo da Orquestra Camerata, em mais uma edição do Show do Mês Live, uma iniciativa da Nova Energia

Sob orientação do maestro Félix da Costa, a orquestra abriu o show musical, neste Sábado, 8, com o clássico de Mozart, “Eine Kleine Nachtmusik”, emitido no canal 2 da televisão pública e nas plataformas digitais da Nova Energia. A tonalidade rítmica foi subindo e num bloco de cinco temas, seguiram- se “La paloma” de Julio Iglesias, “Cartinha da Saudade” de Jacinto Tchipa, “Monami” de Lourdes Van-Dúnem, na voz de Marília Alberto, e fechou com “Pensando conforme o tempo” de Minguito. A regência da orquestra continuou o concerto para mais uma série de cinco temas em que se puderam ouvir, na fusão de instrumentos a execução de “Intermezzo”, seguindo-se “Embrião” de Sabino Henda em que os instrumentistas se puseram em pé.

O jovem guitarrista Mário Gomes juntou-se à orquestra para dedilhar “Mona Ki Ngi Xiça” do embaixador da música angolana, Bonga, um tema bastante apreciado pelo actor norte-americano Will Smith que levou este êxito ao top iTunes, uma plataforma de música da Apple. O solista Teddy N’singui “tomou o palco de assalto” e com a sua guitarra deu avanços aos acordes do tema “Ao pôr do sol”, numa homenagem a Zé Keno protagonista dos Jovens do Prenda, falecido em 2017 por doença na África do Sul. Juntou-se igualmente à festa o barítono e professor de música Bruno Neto, que deu voz à canção “Avó Bea” de Pedrito, o único músico que venceu por três ocasiões o Top dos Mais Queridos da Rádio Nacional de Angola, em 1982, 1984 e 1986, respectivamente. A viagem musical teve a mão (Dikanza) e voz de Didi da Mãe Preta que interpretou o tema popular “Ngongo”, depois da sua exibição tomou a palavra e revelou na ocasião, que desde que começara a cantar em 1968, pela primeira vez actuou com uma orquestra, cuja massa é representada por jovens.

O terceiro período do concerto da orquestra foi executado com a introdução da Marimba e a entrada em cena dos Kilandukilu, Marimbeiro e Kifukissa, e Didi da Mãe Preta na Dikanza, dando a ouvir o tema “Kiximbula”. Num tributo ao rei da música pop Michael Jackson a orquestra executou “Bill Jean”, seguindose Yark Span que dedilhou o tema “Dembita”. Foi vez também de revisitar a canção “Teresa Ana” de Waldemar Bastos e Carla Moreno deu voz ao tema do cabo-verdiano Paulino Vieira “M’cria ser poeta”, tendo encerrado este período a orquestra e a banda no tema “La filo” de Malavoi. Numa viagem entre o norte e o sul, a Orquestra Camerata fez vibrar a plateia por trás dos ecrans das televisões e aparelhos electrónicos com o tema “N’toyo” de Teta Lando, chamando a seguir o ritmo da sungura com Bessa Teixeira no tema “Sulula”. Ao de cima saiu “Semba Henda” de Marito dos Kiezos, seguindo- se Jorge Mulumba dos Nguami Maka, que, ao som do seu Hungo, cantou “Uanga ue” de Mamukueno e “Nguitambulé de Kituxi e seus acompanhantes. “Ao nosso carnaval havemos de voltar” é um verso do poema “Havemos de voltar” de António Agostinho Neto, e foi desta forma que encerrou o espectáculo com a fusão clássica erudita e tradicional angolana com os temas “Camacove” e “Jingonça” de Bonga Kwenda.

Recomendação

À medida em que os executantes mostravam as suas performances sob condução do também músico Kizua Gourgel, foi moderando uma conversa em que participaram o ex-bailarino Maneco Vieira Dias, a jornalista Cristina Miranda e o professor de música Armando Zibungana. Nela, os painelistas recomendaram aos académicos que a junção da música clássica erudita à música tradicional angolana, devem ser catalogadas para que a canção a angolana se perpetue no tempo.

Orquestra Camerata

A Orquestra Camerata foi formada em 2017 por jovens estudantes de música “dissidentes” da Orquestra Sinfónica Kaposoka. Têm desde esse tempo dado mostra do interesse da música clássica e a sua fusão aos ritmos tradicionais angolanos.

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