Editorial: No adeus a Waldemar Bastos

Jornal OPaís edição 1926 de 11/08/2020

Definia-se com um homem de valores. Valores estes que os defendeu durante largos anos e lhe valeram, durante largos anos, também, epítetos como o do contra ou a antítese, como frisou, recentemente, em entrevista ao Jornal de Angola.

A política nunca foi o seu forte. Talvez por isso ‘defendesse’, ainda nas fases mais difíceis da vida política, económica e social deste país, que os mais novos não se envolvessem nela, como um dia cantou. O conselho teve o seu devido efeito.

O contrário. Serviu de chamamento para a luta. Para a busca e o alcance dos desígnios mais nobres num país à procura do desenvolvimento e do progresso. É essa esperança que o fazia viver. Que lhe permitia respirar novamente no solo que o viu nascer e esperava se estabelecer, apesar de não o ter compreendido a determinada altura.

Quis o destino que ontem, aos 66 anos, Waldemar Bastos, deixasse o mundo dos vivos em Portugal, vítima de câncer. Mas fê-lo já na condição de um homem em paz, com o sentimento de que não se sentia mais um forasteiro na sua própria terra: Angola. Pelo menos, é o que ele próprio dizia.

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