Bispos católicos indignados com a não retoma das celebrações litúrgicas

Em causa está a não retoma das celebrações litúrgicas, mesmo com as condições de biossegurança garantidas, ao contrário de outras actividades como restaurantes e similares, cujo funcionamento estende-se até às 9 da noite

Os bispos católicos da Arquidiocese de Luanda, Viana e Caxito em comunicado tornado público, esperavam ver no Decreto Presidencial 212/20, de 7 de Agosto, que actualiza as medidas decretadas no âmbito da Situação de Calamidade Pública, reconstituída a deliberação de interdição do culto público dos fiéis, o que não ocorreu. Por essa razão, notaram com estranheza e apreensão a desproporcionalidade de medidas quando se mantêm em funcionamento na província de Luanda, o comércio de bens e serviços, restaurantes e similares, mercados, venda ambulante e artesanato, os museus, teatros, as mediatecas e bibliotecas e é permitida a realização de feiras de cultura e artes, bem como exposições, em espaços públicos ou privados, sendo obrigatório o uso de máscara facial e a observância das medidas de biossegurança e de distanciamento físico.

Na comunicação pode-se ler que desde o início da Declaração da Pandemia, com a finalidade de cuidar a vida e a saúde espiritual de todos os fiéis, a Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) preparou um protocolo com as medidas de biossegurança a serem observadas nas celebrações litúrgicas, reuniões e demais actividades paroquiais, que de longe ultrapassa o que se observa, diariamente, nos mercados, grandes superfícies comerciais, transportes públicos e outros locais.

Por essa razão, de acordo ainda com o comunicado dos prelados católicos, não compreendem, pois como os mesmos cidadãos podem frequentar com regularidade restaurantes, bibliotecas e teatros, e servirem-se dos mesmos transportes públicos, e, entretanto, estão impedidos do culto religioso e em alguns lugares até com excesso de zelo na aplicação das medidas. Ainda assim, diante desta indignação, os bispos informam que enquanto encetam contactos com as autoridades competentes sobre a questão, apelam a que se permaneçam perseverantes na oração e firmes na esperança, virtudes que sempre os caracterizaram no passado e em tempos difíceis.

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