Líder da oposição bielorrussa foge para o exterior, alegando segurança dos filhos

A líder da oposição bielorrussa, Svetlana Tikhanouskaya, disse, nesta Terça-feira, que fugiu para o exterior por causa dos seus filhos, depois de a vitória do líder Alexander Lukashenko na eleição presidencial de Domingo ter gerado protestos de rua sangrentos.

Pelo menos uma pessoa morreu durante duas noites de confrontos entre forças de segurança e apoiantes da oposição, que acusam Lukashenko, no poder desde 1994, de viciar os resultados da sua reeleição. Países ocidentais também classificaram a votação como injusta e não livre. O Ministério do Interior da Bielorrússia disse que mais de 2 mil pessoas foram detidas após confrontos na noite de Segundafeira, nos quais 21 agentes policiais e agentes do serviço de segurança ficaram feridos, com cinco deles levados ao hospital, de acordo com o ministério.

Tikhanouskaya, uma ex-professora de inglês, de 37 anos, que ocupou o lugar do marido na eleição depois de ter sido preso, fugiu para a vizinha Lituânia, de onde pediu aos seus compatriotas que não confrontem a Polícia e evitem colocar as próprias vidas em perigo. “Sabe, eu pensei que toda essa campanha tinha realmente me fortalecido e me dado tanta força que eu poderia lidar com qualquer coisa”, disse ela, emocionada, num vídeo. “Mas, provavelmente, ainda sou a mulher fraca que eu era. Tomei uma decisão muito difícil para mim”, afirmou Tikhanouskaya, acrescentando que o tumulto político na Bielorrússia não vale a vida de ninguém. “Os filhos são a principal coisa na vida”, completou ela.

Embora Syarhei, seu marido, um blogueiro anti-governamental, permaneça preso na Bielorrússia, ela se reencontrou com os filhos na Lituânia, para onde ela havia se mudado depois de receber ameaças anónimas sobre a sua segurança. O clima nas ruas de Minsk estava mais calmo durante o dia na Terça-feira, mas um repórter da Reuters viu tropa de choque estacionada do lado de fora de várias fábricas em Minsk, em meio a apelos em canais de mídia social anti-Lukashenko por uma greve geral. Pessoas colocaram flores no local no centro de Minsk, onde o manifestante morreu nos confrontos de Segunda-feira. Lukashenko comparou os manifestantes a gangues criminosas e revolucionários perigosos com sombrios patrocinadores estrangeiros. Na Terça-feira, a mídia estatal mostrou jovens detidos com as mãos atrás das costas, chamando- os de “provocadores russos”.

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