Carta do leitor: Duas vozes que partem sem avisar!

Muito bom-dia, caro Director do jornal O PAÍS, e obrigado pela oportunidade que me dá nesta edição de Quinta-feira. É muita tristeza! Esta semana, Angola e o mundo registaram acontecimentos de encher os olhos com lágrimas.

Duas grandes vozes partiram para a outra dimensão sem avisar os familiares, amigos e os fãs. O músico Waldemar Bastos, uma voz que cantou e encantou várias vezes a cultura angolana dentro e fora do continente africano, morreu vítima de doença em Lisboa, Portugal.

O artista angolano, com músicas que marcaram várias gerações, ascendeu, sendo que ficam apenas os seus feitos, dotados de uma arte e classe de tirar o chapéu dentro e fora dos palcos.

Quem não cantou a Velha Xica, Xeh menino não fala política, Olha laranja, olha a tangerineee!!! Temas que o colocaram no pedestal com outros compositores no mundo da música. Waldemar Bastos, filho de Angola, a minha homenagem é esta e assumo o compromisso de continuar a ouvir a tua música.

Ela, nos programas Rádio Nacional de Angola (RNA), nos momentos mais duros desse país, foi o meu bálsamo. Sem digerir ainda a ascensão de Waldemar Bastos, ontem, Angola voltou a ser inundada com a morte do músico Carlos Burity, vítima de doença, na Clínica Girassol, em Luanda. Calou-se para sempre a voz do semba.

Um homem que com as suas canções dançou, fez dançar e encantou os palcos do país e do estrangeiro, espalhando o perfume do estilo dançante e convidativo nos palcos. Prevendo ou não a sua partida, Carlos Burity no seu vasto reportório, brindou os seus fãs com “Canção Nostalgia”, tema que arrasa qualquer cidadão que perde um ente querido.

Aqui, ficam os feitos daquele que cantou “Tia Joaquina, Tonakashi, Narciso” e outras. Por isso, Carlos Burity volta a enlutar a classe musical e artística angolana nas últimas 24 horas. Com lágrimas nos olhos, peço a Deus que receba os seus filhos no resplendor da luz perpétua, pois, no campo da cultura Waldemar Bastos e Carlos Burity fizeram muito para Angola e o mundo. Lágrimas e lágrimas!

Gebas Kassanguidi, Luanda

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