E assim… O problema é acção, senhor ministro!

Na Terça-feira, uma vez mais, Sílvia Samara voltou a receber um ilustre convidado. A escolha recaiu no ministro da Economia e Planeamento, Sérgio Santos, uma das personalidades mais activas por causa dos próprios desafios que o país atravessa.

Da micro à macroeconomia, houve quem dissesse que o ministro terá dado uma aula de sapiência por se ter feito socorrer de alguns gráficos para sustentar a sua narrativa. Na década de 90, os relatórios de organizações nacionais e internacionais apontavam para um nível de informalidade entre os 58 por cento da força de trabalho e a formal em 12 por cento.

Desde aquele momento, embora existisse a guerra para justificar os milhares de cidadãos que se refugiaram na capital e noutras sedes provinciais, a causa da informalidade eram apontadas como sendo a fraca capacidade de geração de empregos, a inexistência de subsídio de desemprego, o processo de formalização extremamente onerosos, emolumentos elevados de licenciamento e barreiras para a entrada de novas micro, pequenas e médias empresas. Duas décadas depois, as causas parecem ser as mesmas.

Há dois anos, por exemplo, um relatório da Universidade Católica de Angola concluiu que 94 por cento da força de trabalho estava no mercado informal, segundo 40,5 por cento na actividade retalhista, 53 em serviços e 6,3 no artesanato. O ministro assegurou a existência de projectos para a formalização de categorias profissionais como taxistas, empregados domésticos e vendedores de rua e do mercado informal. E mais: ‘Só o sector de táxis gera anualmente mais de 1000 milhões de dólares norte-americanos”.

 Os discursos políticos devem ser das coisas mais dóceis possíveis, mas a sua concretização é um outro dilema. Não acredito que seja falta de vontade política. Presumo que existam também interesses bem instalados que fazem com que não se avance. Para tal, basta que recorramos ao período em que Suzana de Melo ainda dirigia um município ou quando Adriano Mendes de Carvalho governava Luanda.

 Durante o consulado deste último, a província ensaiara a entrega de alguns cartões de ambulantes a um grupo de zungueiras que eram constantemente agredidas por fiscais. Por isso, mais do que discursos partamos para a acção. É o que se precisa neste momento.

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