Lázaro Ramos: “A arte literária é um pretexto para narrar as minhas e as histórias do mundo ao meu redor”

O actor e escritor brasileiro, Lázaro Ramos, debateu, esta Terça-feira,11, com o escritor moçambicano Sérgio Raimundo, numa das sessões da III Edição do MOZEFO Young Leaders da FUNDASO, na qual advogaram que a literatura, além de arte, é essencial e permite que os leitores se posicionem em relação aos eventos do mundo

Lázaro Ramos é um dos actores brasileiros consagrados mais conhecidos no Espaço Lusófono e não só, assim como também em Moçambique, além da arte de representar em telenovelas da Globo ou em diversos filmes, é escritor de livros infanto-juvenis.

O artista descobriu essa paixão na infância e sempre escreveu. Como era um menino tímido, o receio de partilhar os seus manuscritos o impediram (por algum tempo) de partilhar os textos com os mais entendidos nas letras.

“Não tinha coragem de mostrar às pessoas. Achava que não iriam gostar. Eu via uma coisa que me fazia sonhar, anotava”.

 E de anotação em anotação, já na juventude, o escritor revelou-se e hoje tem, no seu reportório literário, o livro “Na Minha Pele”, que promete um dia apresentá-lo em Moçambique.

Na qualidade de escritor, Lázaro Ramos participou, esta Terça-feira, numa conversa sobre o tema “Juventude, Literatura e Vida” com o poeta e escritor moçambicano Sérgio Raimundo. A contar para a III Edição do MOZEFO Young Leaders, numa iniciativa da Fundação SOICO (FUNDASO), a cavaqueira com 50 minutos de duração permitiu ao brasileiro contar e explicar por que acredita na literatura.

Segundo afirmou Lázaro Ramos, a arte literária é um pretexto para narrar as suas e as histórias do mundo ao seu redor. Isto é, para o escritor, a escrita é uma maneira de captar e de partilhar com o seu semelhante aquilo que tem de mais forte: o conhecimento e a humanidade que isso encerra.

Por isso mesmo, em sua casa, ele a esposa, a actriz Taís Araújo, igualmente muito querida em Moçambique, contribuem para que os seus dois filhos, hoje, gostem de livros. O mais velho, inclusive, já lê os seus.

“Pelo menos uma vez por mês, nós sempre dizemos: filhos, podem tirar tudo da gente, mas o conhecimento é uma coisa que nunca vão tirar. Nós somos famosos, temos uma casa, mas aquilo que a gente conhece é o que vai ficar com a gente para sempre. Então eles valorizam muito o conhecimento e são essas ideias que vamos plantando nos nossos filhos. Aqui em casa, graças a Deus, e não estou querendo-me exibir, a leitura é como se fosse refeição para os nossos filhos também. Ler um livro é como tomar o café da manhã”.

Matabicho, entenda-se. Duas das grandes motivações para Lázaro Ramos escrever são os seus dois filhos. Advém daí a sua inspiração, e, como escritor, o brasileiro interessa-se no valor das pessoas e da vida, o que passa por contar histórias de superação. Ainda no debate desta Terça, Lázaro Ramos comentou sobre o estereótipo de que os jovens não lêem.

“Às vezes, não damos os livros certos às pessoas. Antes de recomendar um livro, temos de saber que assuntos interessam às pessoas, para que se sintam donas dos livros”.

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