Viana carece de orientação prática para implementar o programa de combate à pobreza

O director nacional da Unidade Técnica de Combate à Pobreza, Miguel Pereira, visitou ontem o município de Viana para constatar a implementação do programa. Da visita, concluiu que falta orientação prática neste município

O que o director constatou, em Viana, não é muito diferente do município do Cazenga, em que algumas acções poderiam estar melhor. Miguel Pereira disse que nos projectos que visitaram, ainda há reclamação da população, porque estão a ser executados sem se ter em conta a sustentabilidade. Pelo facto, defende que é necessário implementar as acções, ainda que forem pequenas, que correspondam com as necessidades das populações. Outro aspecto que se precisa melhorar, disse, tem a ver com o objectivo principal do programa, que é atender os ex-militares e as suas famílias, sendo que nas localidades em que visitou, questionou sobre a existência dos antigos combatentes e soube que são marginalizados. “Não é possível”, lamentou Miguel Pereira.

A falta de orientação prática do projecto deve ser resolvida, segundo aquele responsável. Miguel Pereira disse que, no município de Viana, constataram que há um acumulado de 170 milhões de Kwanzas, a ser estudado a sua implementação. Tentaram, mas a Covid-19 embaraçou a dinâmica em que trabalhavam, tendo permitido que algumas aquisições e outras acções ficassem condicionadas, em função da situação actual. O director municipal de Viana de Energia e Águas, José António, explicou que a estação de tratamento de água do bairro Ana Ndengue, comuna do Calumbo, teve o custo de reabilitação orçado em 11 milhões e 500 mil de Kz, com previsão de se concluir o trabalho em 60 dias. Mas em função da pandemia que o país vive o empreiteiro atrasou. A comunidade do bairro Ana Ndengue beneficiou ainda de quatro chafarizes e lavandarias.

Os 11 milhões foram empregues na reabilitação da estação de tratamento de água, aquisição de equipamentos de bombagem, construção de quatro fontenários, igual número de lavandarias e instalação da máquina potabilizadora. O soba do bairro Ana Ndengue, José Anselmo, de 78 anos, lamenta o facto de a estação de tratamento de água não estar a funcionar em pleno, o que condiciona a obtenção de água regularmente nos chafarizes. “Estamos quase a terminar um ano, prometeram-nos que a situação estaria resolvida em 60 dias, será assim que os empresários trabalham?” O soba lamentou ainda a falta de meios de transportes na localidade, pelo mau estado da via rodoviária, e o único meio de locomoção que têm é a motorizada, que cobra por pessoa mil e 500 Kwanzas, fazendo três mil para entrar e sair do bairro, que conta com 726 habitantes.

Projecto de pescas orçado em cerca de 12 milhões de Kwanzas

O director municipal da Agricultura de Viana, Rogério Alves Neves, explicou que o projecto das pescas consiste em entregar 15 embarcações, sendo 12 para as cooperativas de pescas, uma para a direcção acompanhar o trabalho, e ronda cerca de 12 milhões de Kwanzas. “Cada embarcação está orçada em 600 mil de Kwanzas”. Além das embarcações, as cooperativas vão beneficiar de kites constituído por duas redes, simples e dupla, bóias, caixa de 100 anzóis e coletes. Rui Domingos, marceneiro, explica que no acto da negociação cobrou 200 mil Kwanzas para uma embarcação de 10 metros e 180 mil a de oito metros, mas depois recebeu a informação que será apenas pago 50 mil para a embarcação de oito metros, e 100 mil Kz para a de 10 metros.

“Isto é uma rotura para o meu lado, não sei quanto vou pagar para os meus ajudantes e quanto vai sobrar para mim”, reclamou. O director nacional da Unidade Técnica de Combate à Pobreza, Miguel Pereira, explicou que as visitas de constatação ao nível dos municípios da província de Luanda estão a ser realizadas por duas razões: uma é para dar o apoio técnico, metodológico, aconselhamento e em função da situação actual que tem a ver com a Covid-19 fazer com que os municípios sejam resilientes. De lembrar que a visita da equipa da Unidade Técnica de Acompanhamento do programa integrado de desenvolvimento local e combate à pobreza está a constatar nos municípios o que foi implementado no primeiro semestre do ano em curso à margem do programa, tendo em conta que recebem mensalmente 25 milhões de Kwanzas para impulsionar o projecto.

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