E assim… Afinal, não é indisciplina

O congresso da Liga da Mulher Angola (LIMA), o braço feminino da UNITA, continua na mó de cima apesar da sua conclusão. Os pronunciamentos iniciais, tomados por alguns responsáveis do maior partido da Oposição, levavam para um campo político perigoso, contrário a tudo quanto esta formação política prega em termos de democracia e lisura nos processos eleitores.

Mesmo que não se concorde, o desabafo de Manuela dos Prazeres Kazoto, uma das três concorrentes à liderança da organização, acabou por criar um mal-estar. Desde 2003, um ano depois da morte de Savimbi, a UNITA começou a realizar congressos, tanto para as estruturas centrais, como para as intermédias.

 Mesmo que nos bastidores alguns se sentissem tocados pelos resultados, nunca se viu alguém vir a público denunciar irregularidades nos moldes em que Manuela Kazoto o fez. Houve mesmo quem preferisse engolir em seco. Foi assim com Dinho Chingunji, já na fase pós-Savimbi, e igualmente com Abel Chivukuvuku.

Os dois preferiram arredar o pé, mas tiveram a hombridade de inicialmente reconhecer os resultados dos pleitos em que participaram. Só depois seguiram as suas vidas. No caso da LIMA, depois da reeleição da deputada Helena Bonguela, que se diz ter vencido de maneira folgada, o que se viu ainda foi uma candidata derrotada dorida e ressentida dizer que a UNITA não estava a ser um exemplo de democracia, por ter atropelado os princípios que tem defendido.

Na alta política, nem sempre as eleições são vencidas nas urnas. Muitas vezes os momentos de preparação acabam por pesar mais do que o período decisivo, quando os delegados se dirigem às urnas. A primeira abordagem, em que se quis rotular de ‘indisciplina’ o descontentamento da candidata derrota poderia se ter transformado numa faca de dois gumes, mesmo que não tivesse apresentado uma reclamação à organização.

Como havíamos sugerido num texto neste espaço, o melhor seria investigar o que ocorreu e só depois os mais altos responsáveis se deveriam pronunciar.

Mesmo que não haja razão de fundo que coloque em perigo a reeleição de Helena Bonguela, ou chamusque a lisura do processo em si, só uma averiguação possibilita rebater algum aproveitamento político que a UNITA possa estar a encarar em torno deste processo. E ainda bem que houve sensibilidade para se recuar.

leave a reply