Familiares, amigos e fãs dão o último adeus a Carlos Burity no campo santo da Sant’Ana

As exéquias de Carlos Burity, que faleceu na Quartafeira, 12, em Luanda, aos 67 anos de idade, vítima de doença, terá início às 10 horas, no exterior do cemitério de Sant’Ana, onde será feita a leitura de notas de condolências e outras acções, antes da inumação da urna

Depois da realização da eucaristia de corpo presente, marcada para às 8 horas, no Quartel General dos Bombeiros, os restos mortais do artista, partirão para o cemitério de Sant’Ana, onde será feita a leitura de notas de condolências pelo Vice-Presidente da República, Bornito de Sousa, pela ministra da Cultura, Turismo e Ambiente, Adjany Costa, e outras considerações que serão feitas pelo Governo Provincial de Luanda, segundo contou a OPAÍS, o assessor do músico, DJ Malo Jaime.

Durante o acto, a União Nacional de Artistas e Compositores –S.A. também vai prestar o seu tributo a este músico, que desde 1972 sempre conseguiu defender as suas raízes e a sua integridade cultural.

Depois da leitura dos elogios fúnebres pela família, será inumada a urna. A apresentação das condolências terá lugar no espaço onde ocorrerá a missa de corpo presente, logo a seguir vem a cerimónia fúnebre, acções que serão pautadas pelas medidas de biossegurança, como o distanciamento físico e a lavagem das mãos, assim como o uso obrigatório da máscara facial.

Trajectória

 Carlos Fernandes Burity Gaspar nasceu em Luanda, a 14 de Novembro de 1952, e viveu parte da adolescência no Moxico onde integrou, em 1968, a formação Pop Rock “Cinco Mais Um”, com Catarino Bárber e José Agostinho, o último do Duo “Missosso”, com Filipe Mukenga.

Discografia

Em 1974 gravou, com o Grupo Semba, uma selecção de músicos angolanos que ficou na História da Música Popular Angolana, o seu primeiro single, que inclui os temas “Ixi Iami” e “Recado”.

Neste mesmo ano, divide o palco com David Zé e Artur Nunes, num grande espectáculo realizado na Cidadela Desportiva de Luanda, promovido pelo empresário Palma Fernandes e Ambrósio de Lemos (ALPEGA).

Em 1983, Burity junta-se ao “Canto Livre de Angola”, um projecto do cantor brasileiro Martinho da Vila e do empresário Fernando Faro, que levou ao Brasil nomes como Filipe Mukenga, André Mingas, Dina Santos, Pedrito, Elias dia Kimuezo, Rebita do Mestre Geraldo, Mamukueno e Joy Artur, acompanhados pelo agrupamento Semba Tropical e participa, integrado no mesmo projecto, na gravação do LP “Semba Tropical in London”, interpretando, com assinalável sucesso, os temas “Mon’ami” e “Tona kaxi”.

O álbum “Carolina” surge em 1991, com os temas “Uabiti Boba”, “Maria Alukaze”, “Narciso” (de Mamukueno), “Carolina”, “Monami”, “Adeus” (Filipe Zau) e Kilundo (Filipe Mukenga). Em 1994, surge com “Angolaritmo “, que aparece sob a forma de CD em 1994, pela editora VIDISCO, com o título “Ilha de Luanda”.

Carlos Burity tem ainda publicados os álbuns “Wanga”, “Ginginda”, “Massemba”, “Zuela o Kidi”, “Paxi jami”, “Malalanza”.

  

Músicas para a eternidade

O Governo Provincial de Luanda (GPL) considera que os temas musicais de Carlos Burity, como “Ilha de Luanda”, “Malalanza”, “Tona kaxi”, “Narciso”, “Paxi jami”, “Monami”, “Uabiti boba”, “”Alukaze”, entre outros, marcarão a eternidade da sua obra e carreira artística, que o tempo não apagará.

 De acordo com a nota de condolências assinada pela Governadora de Luanda, Joana Lina, o cantor foi um intérprete e dono de uma voz que emocionou várias gerações de angolanos com as suas músicas.

Diz ainda que foi um munícipe respeitado de Luanda, que eternizou vários hábitos, costumes e recantos das suas canções, bem patente nos álbuns “Massemba”, “Uanga”, “Ginginda” e outros.

“Foi com profunda dor e consternação que o Governo Provincial de Luanda, o colectivo de funcionários e agentes administrativos tomou conhecimento do passamento físico do músico Carlos Fernandes Burity Gaspar, ou simplesmente Carlos Burity, vítima de doença, ocorrido em Luanda”, diz a nota.

De acordo com o documento, o artista marcou um período áureo da música angolana e era um defensor das raízes da nossa cultura e artes vincadas na sua persistência, nos géneros musicais Semba e Kilapanga.

“Neste momento de tristeza e de luto, endereçamos à família e à classe artística os sentimentos de pesar”.

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