Mais de 5800 famílias receberão “dinheiro do Kwenda” na Quiçama

O último cadastro das famílias vulneráveis, no município da Quiçama, aponta para um total de 5862 agregados nesta situação, que poderão beneficiar de uma renda temporária de 25 mil Kwanzas trimestralmente, do Projecto Kwenda. A primeira fase de entrega, naquele município, está prevista para 1 de Outubro

O município da Quiçama acolheu, ontem, um Conselho Municipal de Auscultação das Comunidade, no âmbito da implementação do programa Kwenda – que visa ajudar as famílias vulneráveis com a atribuição de um valor monetário equivalente a 8500 por mês, durante um ano.

 Sob a presença do Fundo de Apoio Social (FAS), o encontro serviu, além de outros apectos, para actualizar os dados das famílias que se encontram em situação de vulnerabilidade, isto é, com base nos critérios definidos, como a caracterização do assentamento (tipo de habitação), acesso à energia eléctrica e água potável, densidade populacional, perfil sanitário, etc..

Das 6350 famílias que o projecto tem para atingir no município da Quiçama, já foram cadastradas 5862 famílias em situação de vulnerabilidade. De acordo com Amílcar Oliveira, administrador adjunto para a área financeira da Quiçama, a ideia do projecto não é apenas dar os 8500 Kwanzas por mês às famílias, mas posteriormente estas famílias irão trabalhar com o CASI (Centro de Acção Social Integrada) no sentido de emponderá-las.

Terminada a fase de apuramento das famílias, segundo Ana Machado, do FAS Luanda, validada por parte das autoridades locais, para evitar incongruências, e passa-se para a fase seguinte. “Está tudo cronometrado para que, até ao dia 1 de Outubro, as primeiras famílias cadastradas recebam a primeira renda”, reforçou.

A entrevistada acrescentou que o outro ciclo será em Outubro, em que as famílias serão encaminhadas para a componente de inclusão produtiva, em função das capacidades e competências produtiva das pessoas, para o fortalecimento da sua situação social. O objectivo é que se reverta o quadro de pobreza extrema por que vivem muitas famílias.

Escassez de ADECOS preocupa

O processo de identificação de famílias vulneráveis é feito pelos Agentes de Desenvolvimento Comunitário e Sanitário (ADECOS), que para o município da Quiçama o número devia ser de 61 ADECOS, quando apenas existem 30. Há uma necessidade de se aumentar este número, dada a importância destes profissionais.

Segundo Ana Machado, são os ADECOS quem distinguirão, com base nos critérios definidos de vulnerabilidade, quem realmente é pobre e carece do apoio do Kwenda.

São estes agentes que entrarão em contacto directo com as famílias, mediante visita casaa-casa, e registarão a partir do sistema informático, pelo que há necessidade de a administração contratar mais ADECOS.

 “A administração contrata e nós, o FAS, damos a formação. Vamos armazenar todos os dados dessas pessoas vulneráveis no sistema informático. O projecto está suportado por um sistema tecnológico que automaticamente vai gerando informações, bem como dar informações orientadoras para os agentes responsáveis pelo cadastramento”, disse.

Recorde-se que o Kwenda é um projecto financiado pelo Banco Mundial (320 milhões de dólares) e o Governo de Angola (100 milhões de dólares), com a previsão de atribuir a renda trimestral de 25.500 Kz, durante um ano, em todo o país, a um milhão e seiscentos mil famílias.

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