E assim… Ano parlamentar e autárquicas

Na quinta-feira, terminou mais um ano parlamentar. Para trás ficou mais um ano, talvez o menos esperado para os políticos, porque em causa esteve a realização das eleições autárquicas, mas dizem ter sido o mais produtivo.

Mesmo que quiséssemos tecer elogios ao recém-terminado ano parlamentar, o melhor seria poupar os ânimos por não ser habitual. As eleições autárquicas mobilizaram os angolanos. Ainda assim, nos últimos dias, houve quem preferisse recuar, porque não havia sequer ambiente para que se avançasse mais em relação ao pacote legislativo eleitoral em curso. Há pouco tempo, apesar da pressão sobre as eleições autárquicas, houve quem pensasse que não havia motivos suficientes para se avançar.

De um lado esteve o MPLA, cujos líderes felizmente deram a cara, e do outro a oposição que não se quer resguardar apesar da crise sanitária à escala global. Sem o principal projecto de lei, sobre a institucionalização das autarquias, não haverá eleições. Por isso, está tudo dito. Falta agora os políticos assumirem um discurso de consenso com uma data alternativa para que este processo não seja visto como um problema.

Ao contrário do que se pensava, os próximos dias já não serão decisivos. Há pouco para se discutir, mesmo que entre as forças políticas exista algum interesse. Com vários projectos em mão, o mais importante acabou por não ser colocado na lista de prioridades nem discutido pelos próprios deputados.

 Há quem fale em vantagem do maioritário, mas a grande verdade é que como principiantes não podemos dar um passo maior do que as pernas. Discutir eleições autárquicas em Angola não é o mesmo que fazê-lo em Cabo Verde ou Moçambique. Estamos perante um processo inicial, sem nenhuma rotação, o que faz com que tenhamos necessidade de maiores cautelas para que todo o processo corra bem.

Mesmo em tempos de Covid-19, nota-se claramente a apetência pelo poder. O que é normal. Mas não se deve colocar as pessoas em perigo caso não haja consenso. Depois do encerramento do ano parlamentar esta semana, existem condições suficientes para que os principais partidos encontrem consensos sobre as eleições autárquicas.

 De nada vale correr atrás do prejuízo a contar com o presente ano. O melhor mesmo é que se consiga estabelecer uma agenda, consensual, para que em 2021, exista uma baliza em que os políticos se concentrem.

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