‘Os especialistas russos são incríveis’: famosa virologista sérvia afirma que aceitaria vacina russa

Ana Gligic, uma famosa virologista sérvia, diz que a primeira vacina contra o coronavírus do mundo registada na Rússia é eficaz e segura, e não há razão para duvidar da qualidade dos seus testes

Ana Gligic, uma das mais famosas virologistas sérvias e mundiais, diz não duvidar da qualificação e experiência dos biólogos moleculares russos, tendo em conta a sua experiência em Moscovo e nos EUA, em referência à vacina russa Sputnik V.

A Sputnik V utiliza um vector do adenovírus humano morto contendo a proteína S dos espinhos do SARS-CoV-2 e cria uma resposta imunológica após ser introduzido no corpo.

O adenovírus normalmente causa infecções virais respiratórias agudas. Segundo disse a especialista em entrevista dada à Sputnik Sérvia, é muito importante que a vacina russa esteja a utilizar um adenovírus “morto” como portador, pois uma forma viva poderia levar a complicações após a vacinação.

 Considerando que o adenovírus é fraco, ela diz ser importante que, “como portador, o adenovírus ajuda a introduzir no corpo o próprio componente do coronavírus que estimulará a produção de anticorpos”.

Ana Gligic não está preocupada com o pequeno número de voluntários que na Rússia participaram no teste da Sputnik V, 38 pessoas, dizendo que é mais importante “registar a porcentagem de consequências” e que “uma grande amostragem dá a probabilidade de um grande erro”.

Apesar desse número, a virologista Gligic disse acreditar que o desenvolvimento da vacina do coronavírus é uma continuação do trabalho sobre a vacina contra a SARS, que foi congelado devido ao recuo da epidemia.

Gligic explica que, ao contrário das vacinas normais, a vacina russa contra o coronavírus utiliza um vírus portador, ou seja, é uma vacina geneticamente modificada. “As vacinas vivas são mais eficazes, mas com elas há o risco de que um vírus enfraquecido possa desencadear doenças num corpo enfraquecido.

Estas vacinas requerem testes laboratoriais extremamente rigorosos e testes extensivos em humanos. Há uma fase, durante o seu processo de desenvolvimento, na qual as pessoas testadas são infectadas com o vírus para ver se são produzidos os anticorpos certos, que não causam a doença”, explica à Sputnik.

Desenvolvimento da vacina Segundo Gligic, normalmente uma vacina viva leva pelo menos dois ou três anos para testar, enquanto vacinas contra o novo coronavírus como a russa estão a ser desenvolvidas rapidamente.

“É fácil de produzir. Basta inserir os componentes do vírus, certificar-se que ele funciona, e depois injectá-lo em animais”, afirma Ana Gligic. “Se eles desenvolverem imunidade, você pode actual tentar injectar a vacina em pessoas. Para os biólogos moleculares este é um procedimento rotineiro”, diz Gligic.

Segundo ela, a Rússia é bastante capaz de produzir 200 milhões de doses até ao final do ano. “Trabalhei na Rússia em 1976, estive em inúmeros congressos. Os especialistas russos são incríveis”, conclui a virologista sérvia, referindo que ela própria aceitaria a vacinação.

Gligic chefiou o laboratório do Instituto de Virologia, Vacinas e Soros em Belgrado, Jugoslávia, durante a epidemia de varíola no país em 1972, liderou uma equipa de especialistas que conseguiu isolar o vírus e esteve fortemente envolvida na luta contra o vírus de Marburg, um vírus ainda mais perigoso, que também conseguiu isolar.

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