“Agro-negócio precisa de investimento forte”, afirma Gentil Viana

O presidente da Rede Camponesa de Angola, Gentil Viana, defende maiores investimentos na agro-indústria para que não se estraguem muitos alimentos por falta de escoamento. Para ele, a cadeia produtiva precisa de funcionar em pleno

Em conversa exclusiva com OPAÍS, Gentil Viana disse que um aumento em termos de compras nacionais, resultado da redução das importações pode ajudar. Para ele, além do PRODESI, a Covid-19 também teve influência.

Todavia, chama atenção que “estamos a comprar produtos frescos. Temos que comprar e conservar. Aliás, o Presidente da República instruiu o novo secretário de Estado para Agricultura no sentido de trabalhar para aumentar a capacidade de conservação. É um sinal claro”, referiu.

Acrescenta que, “é preciso haver capacidade de transformação. O consumo em fresco é arriscado, pois não há capacidade de se consumir cinco toneladas de tomate no mesmo dia. Precisamos fazer mais investimentos na agro-indústria”, afirmou.

Sem meias medidas, Gentil Viana diz que o empresariado nacional ainda não está habituado a investir em industriais absorventes de produtos agrícolas.

Ainda no âmbito do PRODESI, lembra que as empresas de consultoria afirmam que 99% dos projectos são de fazendas agrícolas, deixando de parte a agroindústria.

“Temos défice de agro-indústria. Os bancos recebem poucos projectos. E as fábricas que existem pelo país estão paralisadas por diversas razões”, lamentou.

Laranja do Bembe já produz sumos

Na primeira colheita que aconteceu no princípio do ano, a laranja do município do Bembe – província do Uíge, já produziu sumo natural.

Gentil Viana diz que foi uma boa experiência, entretanto, acredita que com uma melhor organização pode se obter melhores resultados.

“Os camponeses precisam ter uma organização prévia antes da colheita. Portanto, este ano os resultados ficaram aquém do esperado pela direcção da fábrica”, disse.

Acrescenta que a fábrica precisa de ter os níveis de produtividade, o que só será possível com um fornecimento de matéria-prima regular.

“Quem compra o concentrado quer ter certeza que amanhã vai haver mais. Portanto, doravante quando faltarem 120 dias para colheita vamos espalhar uma rede de compras pelo município que possui 108 aldeias”, avançou.

As estradas, segundo Gentil Viana, constituem o outro problema, referindo que se gasta mais tempo saindo da sede provincial do Uíge para o Bembe, comparativamente à viagem Luanda-Uíge.

As ravinas, sublinha, fazem com que a caminhada seja feita numa velocidade de 10 quilómetros por hora.

leave a reply