Angola inicia recenseamento agro-pecuário e pesca

O primeiro Recenseamento Agro-pecuário e Pescas (RAPP) iniciou, oficialmente, ontem, Domingo, cujo acto de lançamento aconteceu na comuna da Gangula, província do Cuanza-Sul, numa cerimónia orientada pelo ministro de Estado para a Coordenação Económica, Manuel Nunes Júnior

Ao discursar na cerimónia de lançamento do evento, Manuel Nunes Júnior destacou a importância do RAAP na modernização e sistematização dos processos produtivos, que poderão tornar a actividade agro-pecuária e piscatória das zonas rurais mais eficazes e rentáveis. O ministro de Estado espera que com o RAPP as instituições possam elaborar políticas e planos de desenvolvimento agrários e pescas com base técnica e científica mais sólida visando os investimentos.

“Aumentar a produção é um imperativo nacional por ser um factor importante e estratégico para o desenvolvimento de Angola, visto que auguramos resultados significativos na alteração da actual estrutura económica do país”, ressaltou.

Informou que a agricultura familiar é responsável por 70% da produção nacional no que tange aos cereais, leguminosas, raízes e tubérculos, envolvendo cerca de três milhões de famílias neste ramo. Lembrou que o Executivo está a implementar planos de acções nos domínios do comércio e aceleração da agricultura familiar para instalar no país um sistema de escoamento de produtos do meio rural para os centros de consumo. Estes planos, detalhou, vão também permitir gerar mais empregos, aumentar o rendimento das famílias e combater a pobreza no país.

Por sua vez, o coordenador do RAPP, Camilo Ceitas, disse que estão mobilizados para esta campanha 4 mil colaboradores, que vão percorrer 25 mil aldeias, 574 comunas e distritos de 164 municípios das 18 províncias do país.

Fez saber que os técnicos de campo vão usar equipamentos com tecnologias digitais que vão permitir enviar diariamente os dados colhidos no terreno para a base central do Instituto Nacional de Estatística (INE).

Explicou que a colheita de dados será feita com base em quatro tipos de questionários, nomeadamente, listagem, comunitário, explorações familiares e explorações empresariais, respectivamente. Com esta iniciativa, esclareceu, pretende-se conhecer 300 indicadores práticos como o tipo de culturas mais frequente, a medição de cada parcela, o número de famílias que vivem da agricultura e pesca, entre outras actividades conexas.

Já a representante da Organização das Nações Unidas (ONU) para Alimentação e Agricultura (FAO) em Angola, Gherda Barreto, salientou que a implementação do RAPP assenta em inovações metodológicas, com a entrada de Angola na rota do programa mundial do Censo de Agricultura 2020.

Segundo a responsável, esta iniciativa estimula sete indicadores de desenvolvimento sustentável entre eles o combate à fome e à pobreza, a promoção da agricultura sustentável, a igualdade do género e a segurança alimentar.

“Angola implementa assim a última directriz do uso das inovações tecnológicas que permitirá o cadastramento e canalização célere dos dados recolhidos no local para uma central do INE. Com estes recursos tecnológicos, Angola constitui uma referência ao nível dos programas de recenseamento em África”, ressaltou.

Acrescentou que este censo vai permitir criar uma nova geração de dados, que podem ajudar a acelerar as estratégias de diversificação da economia do país, melhorar a competitividade da agricultura familiar, aumentar o número de empregos, elevar a eficácia da elaboração de políticas rurais agro-pecuária e pesca, entre outros ganhos.

Referiu que a FAO vai acompanhar este processo com os melhores peritos internacionais e especialistas do Banco Mundial (BM), no sentido de garantir êxitos nesta campanha.

Apelou às instituições envolvidas no RAPP no sentido de mobilizarem e sensibilizarem as comunidades rurais para que os produtores agro-pecuários e pescadores colaborem com os brigadistas. O RAPP 2019-2020 decorre sob o lema “Apostemos na Agricultura e Pescas Familiar para o Auto-suficiência Alimentar”.

O RAPP é coordenado pelo INE, conta com a parceria do Ministério da Agricultura e Florestas (MINAGRIF) e do Ministério das Pescas e do Mar (MINPESMAR), e é financiado pelo BM e outros intervenientes.

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