E assim… Números assustadores

Todos os Domingos, religiosamente, vejo o Pequenas Empresas & Grandes Negócios, um programa sobre empreendedorismo exibido pela Globo. Às Quintas-feiras, há um outro espaço, na RTP África, o ‘Pérolas do Oceano’, que traz a realidade sobre a mesma temática no continente africano, demonstrando o que tem sido feito por gente anónima nas economias dos PALOP.

São vários os exemplos que nos chegam. Jovens, entre mulheres e homens, diariamente mudam as suas vidas e a de outras pessoas investindo em sectores como a agricultura, pesca, turismo e indústria. Tanto a experiência transmitida a partir do Brasil e nos PALOP apresentam uma sociedade de gente resiliente que, aos poucos, não só influencia, como também fortalece aquilo que chamamos de sector privado.

O excessivo providencialismo fez com que crescêssemos com o sentimento de que depois de nos formarmos encontraríamos um emprego no sector estatal ou que só se consegue estabilidade sob a capa do Estado.

Quem fizer um estudo para saber quantos criaram as suas próprias empresas depois de terem passado pela universidade ficaria assustado.

Existem bons exemplos. Mas o número é reduzido. A maioria nasce, cresce e seguramente que irá morrer com a percepção de que só existe vida no sector público. A correria que vemos quando há concursos públicos não está só associado à necessidade de se encontrar um posto de trabalho, mas sobretudo pelas facilidades que o sector público oferece. Muito do que se vive ainda em muitas empresas públicas não seria tolerado no sector privado.

Os números mais recentes do Instituto de Estatística indicam que a taxa de desemprego no segundo trimestre de 2020 em Angola aumentou 4% face ao período homólogo do ano passado, estimando-se em 32,7% e em cerca de 4,7 milhões de desempregados.

Quando surgem números como estes, a primeira ideia é fazer-se uma colagem à promessa do Presidente do MPLA, João Lourenço, durante a campanha eleitoral de que iria criar 500 mil postos de trabalho. Mas a crise é conjuntural. Até na América e na Europa escasseiam os postos de trabalho. Por isso, só um milagre nos vai possibilitar atingir tal cifra ou números aproximados, daí a necessidade de nos reinventarmos. Há mais vida para além do próprio Estado e os jovens têm de participar. O necessário é que se forme, financie e criem condições para que os jovens ajudem a reverter os números assombrosos.

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