Empresário português aposta no ramo metalúrgico em Benguela

O empresário português José Eduardo Correia Lampreia Lopes, que há 12 anos trabalha em Angola, tem na indústria metalúrgica o seu forte, produzindo barca de deposição de resíduos sólidos e reservatórios de água e de combustíveis. José Eduardo Lampreia diz que tudo que ganha, fruto da sua actividade empresarial, é investido cá

José Eduardo Lampreia tem servido de suporte aos governos provinciais, por ser, segundo revela, o único empresário no país que se dedica à produção de barca de deposição de resíduos e depósitos. A sua empresa produz igualmente depósitos de combustíveis, além de uma gama de produtos agro-pecuários (equipamentos de mangas de vacinação, bebedouros, entre outros). 

De Cabinda ao Cunene, gabou-se, os produtos da sua Metalúrgica Baía-Farta, localizada no bairro do Tchipiandalo, zona F do município de Benguela, representam uma lufada de ar fresco para os governadores provinciais, que, neste momento, lutam contra o lixo nas cidades e fomentam a agricultura. 

“Em Angola, tem que se trabalhar muito. Saber o que se vai fazer no dia seguinte. Tem de se ter uma equipa boa a trabalhar consigo. Temos à volta de 25 trabalhadores, já tivemos mais”, disse. 

Estando a enfrentar um problema de tesouraria, decorrente do momento menos bom da economia angolana, facto que o terá obrigado a romper contrato com empresas especializadas em recolha de lixo, o governo provincial de Benguela tem no empresário um parceiro privilegiado para manter as cidades do litoral minimamente limpas. 

Lampreia, de 55 anos de idade, contou a O PAÍS as circunstâncias que ditaram a sua mudança definitiva para Angola. Segundo revelou, exercia a mesma actividade em Portugal e parte considerável dos produtos eram vendidos cá, trazendo-os em contentores. 

Face à demanda, e de modo a diminuir os custos, pensou logo na possibilidade de montar a mesma indústria metalúrgica em Angola, transferindo-a do país luso para cá. E, há 12 anos que tem materializado o projecto na província de Benguela. 

A uma certa altura disse “já não estou a fazer nada lá” e montei aqui, comecei a gostar. Há um ditado que diz “África ou se odeia ou se ama. Eu amei e fiquei. Abri a empresa aqui. Começamos a trabalhar, formámos angolanos. Eu tinha cinco expatriados. Neste momento, só tenho um, é gente daqui”, realça. 

Inicialmente, a sua indústria metalúrgica dedicava-se, fundamentalmente, ao fabrico de produtos ligados à agricultura. Entretanto, fruto de uma carência gritante no mercado, particularmente no de Benguela, surgiu, deste modo, a ideia de se produzir também barcas de deposição de lixo. 

Questionado se tem enfrentado ou não dificuldades no repatriamento dos seus capitais, o empresário, que se diz mais angolano do que português, refere que não tem tido necessidade de os repatriar, garantindo que o seu dinheiro está todo investido em Angola. 

“Fiz investimento em Quilenje(Província do Huíla). Para Portugal, o dinheiro que mando é para ajudar um filho lá. Mensalmente, mando 1 mil euros para despesas correntes’, disse. 

De acordo com o empresário, Angola tem muito para dar, pelo que aconselha os empresários que continuem a investir no país. “Sou daqueles empresários que trabalha e não faço intenções de me ir embora”, garante. 

Constantino Eduardo, em Benguela

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