Hong Kong é tão inseparável para China como Cabinda para Angola

Foi com elevada honra e animado espírito patriótico que durante doi s mandatos consecutivos, como diplomata, representei o meu país (Angola) na Região Especial Administrativa de Hong Kong (HK).

A dedicação ao trabalho, a excelente comunicação com a Administração local, a cooperação harmoniosa com todas representações diplomáticas e consulares acreditadas na Pérola do Oriente, o espírito de amizade e solidariedade que caracteriza o cidadão Chinês, tornou a cidade de HK a minha segunda casa (HK is home). O tamanho da linda cidade equivale metade da cidade de Luanda, no entanto a sua população é equivalente a um quarto da população de Angola; podemos deste modo imaginar a enorme densidade populacional de HK.

Sendo o terceiro maior centro financeiro mundial, a economia mais livre e a cidade mais competitiva do mundo, HK tem 360 mil milhões de USD de produto interno bruto (PIB) anual. O movimento de empresários provenientes de todos os cantos do mundo é notório, podendo-se adquirir produtos modernos de alta qualidade, expressando prosperidade e estabilidade incomparáveis. 

Desde o ano passado, um pequeno grupo de países ocidentais tentou manipular HK artificialmente, financiou alguns jovens estudantes nos bastidores, mobilizou e encorajou-os a fazer manifestações, invadir a assembleia legislativa, criar desordem no aeroporto e nos transportes públicos, bem como causar enormes dificuldades para impedir a livre circulação dos cidadãos e do comércio. Meus amigos em HK, lamentando concordaram que os distúrbios tinham interferência externa. 

Hoje, HK voltou à normalidade, graças à promulgação e implementação da Lei de Segurança Nacional pelo Congresso da China. Para os meus compatriotas angolanos que desejam reflectir sobre esta matéria, deixo os seguintes comentários:

A China e seu partido político

A China tem a maior população mundial e o seu território é o terceiro maior classificado. Sua história de civilização tem mais cinco mil anos. Como disse Supachai Panitchpakdi, ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, “a China tem sido sempre o país mais populoso e mais rico do mundo por milhares de anos”.

No ano 1800, o PIB da China ocupava um terço da totalidade mundial. Das dez maiores cidades do planeta, com meio milhão de habitantes naquela época, seis cidades estavam localizadas na China. Desde 1840, a China foi repetidamente invadida por países estrangeiros.

Em 1949, a China era o país mais pobre e atrasado do mundo, com um PIB per capita equivalente a 9% do nível médio mundial. Naquele ano, o Partido Comunista da China fundou a República Popular da China. Graças a união, diligência e disciplina, a China ressurgiu e se desenvolveu rapidamente.

Em 2004, o PIB da China era inferior ao da Alemanha, França e Reino Unido. Porém, em 2014, o PIB da China igualou ao conjunto dos países acima referidos incluindo a Itália. Que espectacular! Hoje a China é o principal motor do crescimento económico mundial e a segunda maior economia. Em todos os lugares da China que tive o prazer de visitar, é visível a prosperidade.

Ninguém sabe melhor do que o próprio povo chinês se o partido governante e o sistema da China é bom ou não. Foi divulgada recentemente a sondagem por Edelman Public Relations Worldwide, a maior empresa independente de relações públicas do mundo, mostrando que a confiança do povo chinês no governo é de 95%. A Região Especial Administrativa de HK Hong Kong faz parte do território chinês desde os tempos remotos.

Em 1840, a China recusou importar drogas do Reino Unido, foi arrastada para a Guerra do Ópio e derrotada e como consequência forçada a ceder HK ao Reino Unido. Em 1997, a poderosa China voltou a exercer administração sobre HK e implementou “Um País, Dois Sistemas”. Objetivamente falando, HK é tão inseparável da China quanto Cabinda é para Angola. Os assuntos de HK pertencem totalmente aos assuntos internos da China.

Do ponto de vista da jurisprudência internacional, a não interferência nos assuntos internos é a norma básica das relações internacionais, e nenhum país permitirá que os outros minem arbitrariamente sua própria soberania e integridade territorial.

Quando HK implementa a Lei de Segurança Nacional, as únicas pessoas que deveriam ter medo são os criminosos. O que isso importa a outrem? No 44º Conselho de Direitos Humanos da ONU, realizado em Genebra, o Ocidente, que provocou o incidente, apenas obteve apoio de 20 países; no entanto, 53 países foram unanimes em apoiar a Lei de Segurança Nacional para HK.

Angola e China Quando terminou a guerra civil em Angola, a China foi o primeiro país a apoiar o programa de reconstrução nacional, participando na construção de 2,800 quilômetros via de ferrovia, 20,000 quilômetros de estradas, 100,000 fogos de habitação (vejam as novas cidades de Kilamba Kiaxi por CITIC e de Dundo por Panchina), 100 escolas públicas, inúmeros centros hospitalares entre outras infraestruturas; adicionalmente. A China tem oferecido bolsas de estudo para milhares de jovens angolanos.

Quanto ao investimento estrangeiro e comércio, a China é o principal parceiro para Angola. Em 2019, Angola exportou 23,7 mil milhões USD para a China, importou 2 mil milhões USD e recebeu 176 milhões USD em investimento directo.

Durante o presente período de pandemia, as empresas e comunidades chinesas em Angola, têm fornecido gratuitamente ao nosso país 730,000 de máscaras bem como outros donativos de material de biossegurança avaliado em milhões de dólares Americanos.

O governo chinês e a fundação Alibaba também estão entre os grandes doadores. A empresa chinesa BGI está a construir um laboratório “Olho de Fogo” em Angola para melhorar significativamente a nossa capacidade. Honestamente, considero como bênção ter amigos e parceiros como a China ao lado de Angola.

Como cidadão, gostaria de agradecer à China por ter participado na reconstrução de Angola, por investir em Angola, por contribuir o maior superavit comercial, e agradecer à China por fornecer a maior assistência a Angola na luta contra a Covid-19. Bem-haja a amizade ANGOLA – CHINA!

14 de Agosto de 2020

Ex-cônsul de Angola em Hong Kong

Cupertino Gourgel

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