Jovem gravemente doente “resgatado” pela Associação 100% Humano

Insuficiência respiratória, infecção pulmonar, diabetes, desnutrição severa, membros paralisados são algumas das patologias que estavam na eminência de ceifar a vida de Lemos José Cassange, de 32 anos, morador do Sambizanga

Em entrevista a OPAÍS, Fernando Cassange contou que o seu irmão Lemos Cassange encontrase doente há cerca de oito meses e que se tem queixado de muitas dores no peito.

Os exames feitos apontam que sofre de infecção pulmonar, entre outras patologias. Neste momento, tem uma ferida que levou 42 pontos e que se foi agravando com o passar do tempo, uma vez que o mesmo fazia consumo de álcool. Atendendo ao estado de saúde do seu irmão, Fernando levou-o para viver junto da sua família.

No entanto, teve de recuar com o passar do tempo pelo facto de duas das suas filhas terem ficado gravemente doentes. Ambas ficaram três meses internadas no hospital Américo Boavida.

Julgando que a doença está associada à enfermidade que apoquenta o seu irmão, disse que deixou a casa mudando do bairro Popular para o Sambizanga para cuidá-lo. “Achei melhor ficar com ele aqui em casa do meu sobrinho, onde sempre viveu”, frisou.

Com o dinheiro que arrecada de pequenas actividades que realiza no bairro, Fernando sustenta a sua família, o irmão doente e os três filhos deste, isto é, seus sobrinhos. “A mulher o abandonou. Somos natural de Malanje”.

Na esperança de que o seu irmão fosse medicado, durante alguns meses levou-o ao Hospital Américo Boavida onde fez algumas consultas, mas não internou.

“Deram apenas uma receita e mandaram fazer a medicação em casa. Com o passar do tempo perdemos a receita e não conseguimos voltar ao hospital porque o meu irmão ficou com as pernas paralisadas”, frisou.

O seu estado de saúde comoveu alguns dos seus vizinhos, como é o caso da dona Maria que diz sentir-se no dever de todos os dias visitar o vizinho que muitas vezes não tem o que comer. Disse que isso, até certo ponto, tem dificultado a sua recuperação.

“Nós vivemos em péssimas condições, como pedem ver”, apontou. Fernando sublinhou que, por essa altura, a criminalidade não constitui um dos grandes problemas, pois, os habitantes do bairro adpotaram o sistema do uso do apito. Quando surgem supostos malfeitores, basta a vítima apitar que surgem pessoas para ajudar.

“Antigamente, nesse bairro os bandidos por causa de 100 Kwanzas te tiravam a vida. Estávamos muito mal, mas por essa altura, com esse vírus, o que nos preocupa é o facto de não termos o que comer muitas vezes”, lamentou.

“Nos sentimos comovidos pelo estado crítico e decidimos ajudar”

A secretaria da Associação 100% Humanos, Iracelma Domingos, conta que tomaram conhecimento deste caso ao fazerem um levantamento de cerca de 100 famílias vulneráveis do Sambizanga que podem ser contempladas com uma campanha de doação.

Segundo Iracelma Domingos, antes tiveram uma reunião com a administração do Sambizanga e durante a visita de campo foram informados sobre um cidadão com doenças respiratórias e tuberculose, mas quando chegaram à residência do mesmo já havia acabado de falecer.

“Então de seguida, o senhor Lemos chamou por nós para ver o estado do seu irmão. Quando chegamos nos sentimos comovidos pelo estado crítico em que o encontramos.

Desde aquele momento decidimos abraçar a causa humanitária para poder salvaguardar este individuo”, contou. Iracelma disse que decidiram levá-lo a um hospital, mas antes disso recorreram a alguns médicos que o acompanharam durante uma semana, os quais fizeram um pré-diagnóstico.

Os especialistas foram peremptórios ao recomendar que tinham de retirá-lo com a máxima urgência desse local, pois não reunia as condições de vida.

“Os médicos disseram que ele tinha de ser assistido por um hospital com a máxima urgência e assim o fizemos. Os nossos médicos detectaram insuficiência respiratória, infecção pulmonar, diabetes, desnutrição severa e está com os membros paralisados, mas a nossa principal preocupação é a tuberculose”, disse.

Lemos Cassange encontra-se actualmente internado no Hospital Sanatório de Luanda, onde foi levado numa ambulância do INEMA, com o apoio da administração do Sambizanga. Devido ao seu estado de saúde, foi internado com a máxima urgência. “Nós nos comprometemos com o senhor e vamos até ao fim.

Desde assistência médica, medicamentosa e até habitação. Ou seja, até ao dia que ele tiver alta vamos tirá-lo daqui e colocá-lo num espaço com mais qualidade de vida”, afirmou.

Iracelma Domingos garantiu que a Associação 100% Humano vai ceder-lhe uma casa, alimentação e acompanhar todo o processo de recuperação.

Fez saber que o próximo passo da associação é dar assistência a todas as pessoas vulneráveis desde bairro Sambizanga e não só.

“Tudo que estiver ao nosso alcance, como Associação 100 % Humano, vamos fazer mas contamos com o apoio da administração”.

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