UNITA denúncia aumento de fome nos Gambos, Chongoroi e Caimbambo, em Benguela

Para fugir a fome, muitas famílias estão a ser forçadas a emigrar para o centro da província, enfrentado o perigo de vierem a ser infectadas com a Covid- 19, a julgar pelo número de casos positivos já registados

O secretário provincial da UNITA, em Benguela, Abílio Kaunda, disse, ontem, a OPAIS, que os municípios dos Gambos, Chongoroi e Caimbambo têm sido devastados pelo aumento de casos de fome que está a atingir centenas de famílias locais.

Segundo o político, as populações desta região têm vivido, nos últimos dias, num verdadeiro aperto de fome que está a provocar sérios problemas de saúde e de estabilidade social.

Na sua denúncia, Abílio Kaunda disse que a grande maioria das populações afectadas pela fome são camponeses. Porém, com o problema de estiagem que afecta as regiões e com graves consequência para o gado, a situação tem se revelado crítica.

“Há gado a morrer, porque não há água. As pessoas não conseguem cultivar, porque estás zonas têm graves problemas de chuva. É uma dificuldade tremenda que deve ser vista com a maior urgência”, apontou.

Ainda segundo o político, devido à fome, há muitas famílias a emigrarem para o centro da província, enfrentado o perigo de virem a ser infectados com a Covid-19, a julgar pelo número de casos positivos que existem.

“Diante da fome, as famílias não têm outra saída senão correr para o centro. É um problema grave e que nos entristece”, deplorou o político.

Diante da situação, antes que se registe o pior, Abílio Kaunda disse ser necessário que se crie urgente políticas públicas para acudir as populações afectadas pela fome nas regiões dos Gambos, Chongoroi e Caimbambo.

“Se as pessoas têm fome é porque as políticas públicas estão a falhar. Agora é preciso concertar antes que não venha a acontecer o pior”, frisou, tendo acrescentado ainda que nesta situação de fome os mais afectados são as crianças, idosos e mulheres.

“Esse grupo de pessoas é o mais vulnerável e que dificilmente consegue se mover dada a sua condiçãl social. É preciso que se faça um trabalho sério com as comunidades locais e com as diferentes organizações da sociedade civil para se encontrarem as melhores soluções”, defendeu.

ADRA local diz que é um problema geral

Já a directora da Acção de Desenvolvimento Rural e Ambiente (ADRA) em Benguela, Célia Sampaio, fez saber que o aumento dos casos de fome é um problema que atinge a província toda. Segundo a responsável, a situação ficou mais agravada com a limitação do funcionamento dos mercados e praças em função das medidas de prevenção e combate à Covid-19.

Conforme disse, grande parte das famílias locais têm a actividade informal como sustento e com as limitações impostas vêm-se com muitas dificuldades para se alimentar.

Segundo Célia Sampaio, uma das saídas para melhorar o quadro a nível local passa pela potencialização das famílias, mediante a distribuição de kits e ferramentas de trabalho para criarem sustentabilidade e independência financeira.

“Achamos que se ficar apenas pelas doações, como tem acontecido, o problema não será resolvido”, apontou.

leave a reply