Especialista defende maior presença de quadros angolanos na SADC

Comemorou-se ontem 40 anos da criação da SADC. Anualmente, cerca de cinco milhões de dólares são depositados nas contas do secretariado desta organização criada com o objectivo de proporcionar a paz, a segurança e o crescimento económico dos países africanos

O especialista em Relações Internacionais, Bernadino Neto disse, ontem em Luanda, que Angola, sendo o segundo maior contribuinte da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), precisa trabalhar mais para que a presença de seus quadros dentro da organização seja visível. 

Em entrevista a este jornal, o especialista disse que Angola é o segundo maior contribuinte da SADC, depois da África do Sul. Anualmente, segundo Bernadino Neto, quase cinco milhões de dólares são depositados nas contas do Secretariado da SADC. 

O especialista sublinhou que, apesar da presença de alguns quadros de direcção, é necessário que haja também a presença de quadros angolanos, como oficiais e técnicos. “Nós não temos sabido preencher esse lugar. Muita das vezes coloca-se o problema da língua, mas se as Comemorou-se ontem 40 anos da criação da SADC. 

Anualmente, cerca de cinco milhões de dólares são depositados nas contas do secretariado desta organização criada com o objectivo de proporcionar a paz, a segurança e o crescimento económico dos países africanos pessoas estiverem inseridas a língua nunca há-de ser um obstáculo. 

Logo, precisamos de trabalhar para preencher esse lugar, porque há muito boa juventude que devia lá estar e não está”, disse. Referiu que Angola precisa, por outro lado, trabalhar de forma efectiva o Plano Estratégico Indicativo Regional. Bernardino Neto avançou que o pais, durante dois anos, debateu-se de forma muito visível, mas o plano em causa não contém os devidos projectos que possam garantir, na parte final ou de avaliação, os benefícios ou resultados esperados. 

Contexto de Integração da SADC 

Relativamente a esta questão, o especialista destacou a existência de um Plano Estratégico de Desenvolvimento Regional. Segundo a fonte, o referido plano aparentava ser muito ambicioso e pouco realista, reformulado em 2015, mas os resultados colhidos até o ano em curso indicam que ainda há muito por fazer. 

Entre as prioridades definidas na Pauta de Planeamento Estratégico Indicativo de Desenvolvimento Regional, destacou a manutenção da paz, a segurança e estabilidade dos países africanos. No âmbito económico, Neto define como áreas produtivas a agricultura, a saúde, com o fabrico de medicamentos genéricos, e a transformação de matérias primas. 

Integração da economia na região 

Bernadino Neto salientou que desde 2008 a região da SADC tem estado a trabalhar na chamada “Zona de Comércio Livre”. Explicou que, dos 16 estados membros, há três economias que ainda não estão dentro dessa Zona de Comércio Livre, nomeadamente Angola, a República Democrática do Congo e as Ilhas Comores. 

Outro problema apontado prende- se com as contribuições. Segundo o especialista, a maior parte das organizações na região debate-se com problemas de contribuições estatutárias ou financeiras, avançando que os Estados, querendo ou não, são obrigados a pagar a sua quota. 

Resolução de conflitos 

Olhando para as situações de conflitos e instabilidade que alguns estados têm vivido, o docente universitário disse que a organização tem sabido dar respostas positivas. Sublinhou como um dos primeiros ganhos o derrube do regime do apartheid na África do Sul racista, elemento que tem estado a consolidar o sentimento de paz, de estabilidade e de defesa. 

A Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) é uma organização inter-governamentalcriada em 1980, dedicada à cooperação e integração socioeconómica, bem como a cooperação em matérias de política e segurança dos países. 

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