Músicos Boss AC, Big Nelo e G 2 destacam disciplina, foco e persistência como requisitos

Boss AC, de Cabo Verde; Big Nelo, de Angola; G2, de Moçambique, e Netinho de Paula, do Brasil, estiveram entre os artistas, que na sessão de encerramento da III Edição do MOZEFO Young Leaders da FUNDASO, de Maputo, Moçambique, defenderam a importância da disciplina, do foco e da persistência na consolidação da carreira musical

Há uma fórmula para o sucesso? A pergunta foi feita pelo apresentador de televisão Emerson Miranda de várias maneiras, na última sessão da III Edição do MOZEFO Young Leaders.

A resposta, igualmente, foi dada de várias formas ao longo dos 110 minutos de debate sobre o tema “O Futuro da Indústria Criativa”. Para Boss AC, não existe nem fórmulas e tão pouco segredos para o sucesso.

O trabalho, a disciplina, a persistência e o foco estão entre os requisitos essenciais no percurso de um artista. Por isso, o rapper cabo-verdiano enalteceu imenso que o talento é importante, mas apenas reflecte 10% da questão.

90% é trabalho. Luta. “Eu nunca tive um discurso de vítima, sei que tenho de correr o dobro ou o triplo para chegar ao mesmo lugar. Quando nos fecham as portas, entramos pelas janelas, sempre contornado as dificuldades”. Intervindo através da Internet, Boss AC, numa sessão de partilha de experiências, lembrou que a actividade do artista é muito volátil, com momentos altos e baixos. Aconselhou aos mais novos, quem quiser iniciar-se nas artes deve definir muitas alternativas de subsistência.

“O meu plano A sempre foi a música, mas sempre tive plano B, C, D e por aí em diante”, de tal forma que a crise gerada pela pandemia não lhe está a afectar como o afectaria se apenas dependesse da música. “Temos de arranjar alternativas”, e, claro, respeitar algumas regras… Regras, não fórmulas de sucesso.

Por exemplo, disse Boss, “não revelar tudo. Tenho por hábito não mandar foguetes antes das festas. Quando falo das coisas, já as fiz. Pois de contrário ainda podemos perder o foco daquilo que queremos”. Citando o Nobel da Literatura de 1953, Boss AC aconselhou a juventude moçambicana a não ter receio ao correr atrás das coisas.

“A juventude é a altura certa para errar. Como dizia Winston Churchill, o sucesso é ir de fracasso em fracasso sem perder entusiasmo”. Depois, o rapper sublinhou que é igualmente importante o carácter, até porque “os filhos não fazem o que os pais dizem, mas fazem o que lhe vêem a fazer”.

Na mesma linha de pensamento de Boss AC, Big Nelo realçou algumas questões. Na percepção do cantor angolano, o problema da juventude é querer ganhar dinheiro hoje, e não a vida toda.

Com efeito, antes de querer colher o que nem sequer foi plantado, Nelo aproveitou o tempo de antena no MOZEFO Young Leaders para convidar os jovens artistas, sobretudo cantores, a entregarem-se aos desafios, com a consciência de que não existe sucesso que dura para sempre.

“O mais fácil na carreira musical é subir, manter a carreira é que é mais difícil, até porque o sucesso traz inimigos. Para mim, os jovens músicos devem aprender a caminhar devagar e a ouvir pessoas mais experientes”.

Embora considere a carreira musical muito complexa, Big Nelo entende que as pessoas devem ter carácter e respeitar o auge dos outros com os pés bem assentes no chão. “Nada dura para sempre”, disse várias Nelo.

“No princípio, as pessoas gostam da tua música e até te endeusa. Depois de algum tempo, surgem outros bons autores e a tua música passa a ser mais uma música. Temos de controlar o ego, respeitar o sucesso dos outros e ter a disciplina sempre.

A humildade, saber cair e dizer não, muitas vezes, é importante. E acreditar sempre. Não existe sucesso sem sacrifícios”. E tocando na questão referência… “Só com grandes referências é que haverá continuidade nos nossos países. Temos de ser referências para os mais novos, para que sejamos mais-valia para as nossas comunidades”.

No mesmo debate, esteve G2, que considerou que o sucesso artístico dos jovens depende muito do interesse deles na formação e informação, de modo que, quando as oportunidades chegarem, consigam aproveitá-las.

“Não acredito em coisas fáceis. Para mim, as coisas dependem de muito trabalho, conhecimento e definição de estratégias. Devemos procurar ter referências e procurar ouvir pessoas mais experientes. Por exemplo, eu já liguei para o Dr. Daniel David, numa altura em que a minha vida poderia ir para esquerda ou para a direita.

Na altura, precisava de aconselhamento, e ele recebeu-me e foi importante para o que eu estava a passar naquele momento”. Além disso? “Temos de potenciar a educação no país, de modo que os jovens sejam capazes de pensar em soluções empreendedoras a médio ou longo prazo”.

Como que acrescentando mais elementos à abordagem de G2, o empresário cultural, Dinho Puro, aconselhou aos jovens a saírem sempre da sua zona de conforto, experimentar novas realidades e deixarem-se rodear por boas influências. “Devemos nos aproximar às pessoas que nos possam potenciar, porque os jovens, hoje, têm muito mais facilidades do que os jovens do passado”.

Do Brasil, intervieram o Staff (DJ) e Netinho de Paula. Para o cantor e apresentador de televisão, quer os velhos, quer os novos autores devem ter a capacidade de apostar nas ofertas tecnológicas, “porque a tecnologia veio para definir uma nova forma de trabalho, de criatividade e realidade para todos.

Eu acredito muito que a juventude actual vai fazer muita revolução”. A partir de Portugal, Micas Cabral, dos Tabanka Djaz, acrescentou ao debate (que também contou com Valdemiro José) a relevância dos jovens artistas cultivarem bons hábitos.

“Acreditar no que se está a fazer e a aproximação às pessoas mais experientes também tem garantido muito sucesso”. “O futuro da indústria criativa” foi o tema do último debate desta III Edição do MOZEFO Young Leaders, iniciativa organizada pela Fundação SOICO (FUNDASO).

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