O silêncio profundo das Pescas

Quem teve acesso à edição de ontem deste jornal, certamente, que terá ficado espantado com duas informações trazidas a público sobre a mesma província: Benguela.

A primeira, que foi a manchete, por sinal, estava associada à falta de autorização do Ministério das Pescas e do Mar para que se distribuam as 1200 toneladas de peixe carapau apreendidas numa embarcação estrangeira que foi encontrada a pescar em águas angolanas num período de veda da espécie.

A segunda tem a ver com um dirigente de um partido da oposição que se queixa da falta de alimentos em determinados municípios da província.

Um facto que está a provocar a migração de centenas de populares para outras zonas à procura de meios para a sobrevivência. O caricato é que estamos a falar da mesma província.

O mesmo local em que, mais de um mês depois, ainda não se sabe que destino dar ao peixe carapau. A captura da mercadoria já foi a questão intrincada, com laivos até de alguma falta de autoridade no momento em que se quis tomar de assalto o próprio navio.

Quem acompanhou a referida novela, com uma sessão de dois dias, estará recordado que houve até ameaças de se lançar cães de raça pitbull a quem ousasse entrar na embarcação.

Agora, o desabafo do director local das Pescas soou mais a um ‘diga alguma coisa, por favor, senhor ministro, porque o tempo já é demais’.

‘Os produtos perecíveis levantam preocupação quanto ao tempo de conservação, tendo em conta que estão em congelação há mais de 40 dias, pelo que acredita que em breve as autoridades competentes venham a se pronunciar’, disse o director José Gomes.

Longe de qualquer contenda judicial, as afirmações do responsável apontam para um caminho em que estará tudo a depender de uma ordem superior a partir do Ministério das Pescas, ou seja, do seu titular. Benguela vive nos últimos tempos momentos difíceis.

E isso tem feito com que as pessoas, sobretudo crianças, velhos e mulheres, abandonem os lares para procurar comida noutras paragens. Tem-se dito que a fome é má conselheira.

O que se sabe é que o peixe já foi confiscado, pertencendo agora às autoridades angolanas, razão pela qual se aplicou uma multa milionária aos responsáveis da referida embarcação. Mantê-lo ‘congelado’ por muito mais tempo poderá levar a outras interpretações.

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