Sindicato diz que 80% das escolas não têm as condições de biossegurança criadas

O Sindicato Nacional dos Professores (SINPROF) discorda das declarações feitas pelo secretário de Estado para o Ensino Secundário, Gildo Matias, segundo as quais 80% das escolas têm as condições de biossegurança criadas, caso se regresse às aulas

O secretário de Estado para o ensino Secundário, Gildo Matias, em entrevista à RNA, disse que cerca de 80% dos estabelecimentos do ensino Secundário do IIº Ciclo têm as condições de biossegurança criadas, para o possível regresso às aulas presenciais, tendo acrescentado que apenas se regressará a este modelo quando as condições estiverem garantidas, por estar em causa um bem maior: a vida.

O responsável avançou ainda que estão a fazer um levantamento exaustivo para aferir que condições as escolas têm, não apenas de acesso à Internet, mas em termos de equipamentos para que possam ministrar aulas virtuais, no segundo modelo. Quanto à possibilidade de o ano lectivo 2020 ser anulado, Gildo Matias descartou.

Chamado a comentar sobre o pronunciamento de Gildo Matias, o secretário-geral do SINPROF, Admar Jinguma, disse que não é verdade que 80% das escolas do Ensino Secundário tenham as condições de biossegurança criadas.

“O senhor secretário de Estado tem de dizer à opinião pública onde buscou estes números”, disse. A sua agremiação sindical, por estar representada em todas as 18 províncias do país, e porque têm recebido relatos dos professores, acredita que estes 80% não correspondem à verdade.

Por outro lado, têm colaborado com o Ministério da Educação no sentido de se criarem as condições para o retorno das aulas e têm informações, que resultam de constatações feitas nas escolas, que mostram o contrário. Ao contrário dos 80%, o entrevistado do jornal OPAÍS disse que nem 1% das condições de biossegurança foram criadas nas escolas do IIº Ciclo e ensino secundário do país, que permitam o retorno às aulas presenciais.

“Quando estamos a falar de condições, nem sequer estamos a exigir o álcool-gel, nem o termómetro infra-vermelho para medir a temperatura, nem de desinfestação periódica da escola, mas sim, da existência de água corrente, sabão, detergente em pó [omo] e/ou lixívia, que não existe”, disse.

A não existência do mínimo que referenciou deve-se ao facto de as escolas não terem dinheiro e de as administrações municipais não terem condições de fornecer água regularmente. Investiu-se pouco na educação e os habituais 5% do OGE para este sector, na ora da execução, acaba por ficar mais curto. Admar Jinguma voltou a recordar que o descaso que o Estado sempre teve com a Educação contribuiu para que tenhamos as escolas sem condições, sem carteiras, com falta de tudo, que agora está a ser destapado.

Concordância no retorno das aulas

Por força da Circular 26/20 de 28 de Julho, os professores estão quase todos os dias nas escolas, facto que aumentou ainda mais a certeza do SINPROF de que não há condições de biossegurança criadas.

Estes professores reportam ao sindicato que, inclusive, cada um tem de levar a sua garrafa de água ou o seu álcool- gel para higienizar as mãos. “Em contrapartida, onde o senhor secretário de Estado trabalha, há condições de biossegurança, para higienização das mãos, desde a portaria do edifício até aos departamentos.

O edifício onde o secretário trabalha, e já acompanhei, é desinfestado regularmente”, exemplificou. Entretanto, quanto ao descarte da anulação do ano lectivo, o SINPROF diz estar de acordo, mas sem que se escamoteiem dados.

Deve-se arranjar dinheiro para que se criem realmente as condições, como defende, para o recomeço das aulas. “Concordamos que não podemos ainda anular o ano lectivo.

Hoje, por exemplo, vamos ter um encontro convocado pelo próprio MED, para que sejam unidas as ideias para mostrar o melhor caminho de regresso às aulas. É uma iniciativa de louvar. As aulas não podem parar, mas também não podem retornar à qualquer custo”, reconheceu.

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