Três bairros de Benguela alteram quadro epidemiológico da província

A província de Benguela somou cinco casos de Covid-19. Os últimos três casos foram registados Sábado, 15, nos bairros do Quioxe, Massangarala e Benfica. As autoridades sanitárias esclarecem que todos os pacientes são assintomáticos e, como tal, não precisam de ventiladores

Na sua comunicação habitual, logo após o anúncio de três casos de Covid-19 em Benguela pelo secretário de Estado para a Saúde Pública, Franco Mufinda, o director do Gabinete Provincial da Saúde, Manuel Cabinda, aparentemente insatisfeito, começou por lamentar o facto de o perfil epidemiológico de Benguela se ter alterado, a ponto de registar três novos casos, perfazendo, assim, um total de 5.

Face à alteração registada, o médico pede aos cidadãos que acatem, rigorosamente, as medidas de prevenção estabelecidas. Dos três casos notificados, dois dos quais estão relacionados com duas cidadãs, entre os 49 e 66 anos de idade, residentes em Benguela, que teriam sido autorizadas, pela Comissão Nacional Multissectorial, a se deslocarem à província do Zaíre.

De regresso, passaram por Luanda, cidade sintomática, onde teriam contraído o vírus. Segundo Manuel Cabinda, à província do Zaire as cidadãs, que pertencem à mesma família, teriam ido participar num óbito.

Quando saíram de Benguela, tinha ficado a orientação de reportar às autoridades sanitárias tão logo regressassem, de modo a se observar determinadas medidas de saúde pública, facto, porém, que terá sido ignorado por elas.

As autoridades tomaram conhecimento do regresso por via de denúncias de alguns moradores dos bairros Quioxe e Massangarala. “E foi possível levar, posteriormente, estas pessoas à nossa unidade de quarentena institucional”, declara, para logo a seguir revelar estarem já identificados parte dos contactos das senhoras e alguns ainda estão por determinar, uma vez que uma delas, moradora do bairro da Massangarala, se teria dedicado à actividade normal, a de venda de alimentos em domicílio, e, por conta da qual, teria mantido vários contactos.

“Faz parte do processo de investigação de contacto”, alvitra o responsável. Em relação ao terceiro caso, o também coordenador da Comissão Provincial de Saúde salienta que o cidadão, à semelhança das duas cidadãs, também foi autorizado, mas pelo Governo Provincial do Uíge, a circular de uma província para outra, pois acompanhava um cidadão que esteve em Luanda por questões de saúde.

Contudo, Cabinda lamenta, igualmente, o facto de não ter comunicado que, a 20 de Julho, tinha chegado a Benguela. Logo, também não observou as medidas de biossegurança.

“Também foi denunciado pela população e fomos obrigados a levar à unidade de quarentena institucional”, disse, descartando, por agora, a imposição de uma cerca sanitária aos bairros onde foram registados os casos, embora tudo, ainda, esteja dependente dos resultados das equipas que estão no terreno a recolher as amostras.

“Se existirem muitos casos reactivos, muitos contactos, poderá ser necessário”, ressalta.

Quem autorizou afinal?

Desde Sábado, após terem recebido os resultados dos testes dos cidadãos, as autoridades trabalham nos bairros acima referidos para se determinar os contactos.

Em função das ocorrências, e com suporte dos órgãos de defesa e segurança, procede-se a já um trabalho de investigação junto desses bairros, para que, no perímetro de investigação e testagem, não se permita que os moradores abandonem as suas zonas de residência, visando os despistes dos contactos.

Segundo fontes consultadas pelo O PAÍS, as cidadãs em causa terão sido autorizadas por um alto responsável ligado à Comissão Multissetorial de Combate à Pandemia de quem são parentes.

O responsável, disse a fonte, teria inclusive mandado um autocarro para as vir buscar a Benguela e estas deslocarem-se à província do Zaire, para participar no óbito de um ente-querido.

Este facto, segundo a nossas fontes, sugerem a redefinição de estratégia em relação à atribuição de declaração que permita a alguns cidadãos circular de um lado para o outro.

Aliás, recentemente, em sede de uma reunião da Comissão Provincial de Saúde Pública, o governador provincial de Benguela, Rui Falcão, se tinha manifestado apreensivo com a emissão de declarações por parte de algumas instituições do Estado.

Esta preocupação foi manifestada antes mesmo de a província ter registado casos. Sobre o assunto, o governante teria, por via de uma missiva, segundo uma fonte palaciana, reportado a insatisfação do seu governo à ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta. Recorde-se que o primeiro caso de Covid em Benguela foi registado no município do Cubal, em Julho.

Constantino Eduardo, em Benguela

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