Vulnerabilidade atinge 80% das famílias no Icolo e Bengo

Dos 90 mil habitantes, apenas nove mil pessoas têm acesso à água e no que toca à energia eléctrica o cenário é bem pior. Com excepção da vila de Catete e, actualmente, a Centralidade do KM 44, o índice de vulnerabilidade preocupa

O administrador municipal adjunto para a área Política social e financeira, do Icolo e Bengo, Natividade da Silva, disse que, com a chegada do projecto Kwenda na localidade verão os seus trabalhos aliviados, tendo em conta que a zona é maioritariamente rural, e com famílias que enfrentam dificuldades de diversas ordens.

O município do Icolo e Bengo tem cerca de 70% a 80% famílias vulneráveis, começando pelo índice de desenvolvimento humano,. “Com excepção da vila de Catete, e actualmente a nova Centralidade do KM 44, todas as nossas casas são de pau-a-pique e chapas, habitação extremamente precária, o acesso à água potável também representa uma preocupação”.

Segundo Natividade da Silva, dos 90 mil habitantes, apenas cerca de oito ou nove mil pessoas têm acesso à água, e o cenário piora se for energia eléctrica.

O responsável diz que as famílias são extremamente vulneráveis e precisam de uma atenção especial, sendo que tudo que for feito para além do trabalho da administração para levar bens essenciais à população, tornar as famílias autossuficientes é bem-vindo.

Quanto ao nível de desemprego disse que grande parte da comunidade trabalha de maneira informal, no ramo da agricultura e pescas. “Toda a gente tem a sua lavra, a sua canoa e é disso que as pessoas vivem. Sendo que de emprego formal, há no município algumas empresas do sector do comércio e indústria, que empregam algumas famílias de Icolo e Bengo, mas a maioria dos funcionários vêm doutros municípios”, lamentou.

Tal situação ocorre devido ao nível de escolaridade dos munícipes do Icolo e Bengo, que depois de terminar o IIº ciclo não têm como dar continuidade aos estudos, por falta de instituições de ensino.

Quem deve ser ADECO ?

Por seu turno, a chefe de departamento provincial de Luanda, do Fundo de Apoio Social (FAS), Ana Machado, explicou que depois da validação das áreas em que o projecto Kwenda vai se desenvolver, no município do Icolo e Bengo, passarão para o período de eleição, contratação e formação dos ADECOS (Agentes de Desenvolvimento Comunitário e Sanitário), até ao final do mês em curso.

Existe no município 49 ADECOS, mas tendo em conta as áreas que o projecto vai abranger, necessitarão de mais 30, e todos passarão de casa em casa a aferir quem realmente se encontra em situação de vulnerabilidade.

Um dos critérios para se ser ADECO, numa determinada região, é ser membro da comunidade, ter no mínimo a 6ª classe, e ter também prestígio ao nível da sua sociedade.

Para se escolher uma zona onde pode ser inserido o projecto Kwenda, antes deve obedecer aos critérios que definem o grau de vulnerabilidade, situações que têm a ver com o tipo de assentamento da área, habitação, densidade populacional, acesso aos serviços da rede pública, tais como água, energia eléctrica e unidade de saúde de referência.

Francisco Simão, secretário dos sobas do município, deseja que o programa implementado na sua região traga frutos, e que os responsáveis pelo cadastramento venham registar apenas as pessoas mais vulneráveis.

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