Desmobilizados das FAA na Huíla exigem enquadramento na Polícia Nacional

Um total de 398 efectivos das Forças Armadas Angolanas (FAA), licenciados à reserva, na Região Militar Norte(RMN), no Uíge, mas residentes na província da Huíla, reclamam enquadramento na Polícia Nacional e pagamento dos seu subsídios

O contingente é composto por soldados e praças, licenciados no âmbito do término do cumprimento do serviço militar, ao abrigo da Ordem nº 0032/Cdte Exe/2019, e estão há um mês sem salário e encontram-se fora do Sistema Integrado de Gestão Financeira (SIGF).

Desmobilizados em Dezembro do ano passado, depois de lhes terem sido passadas as guias de apresentação ao Distrito de Recrutamento e Mobilização (DRM) da Huíla, alegam estar à sua sorte.

O soldado Dionísio Santos Silvério, um dos integrantes deste contingente, denunciou a O PAÍS que o primeiro corte salarial ocorreu em Abril do ano em curso, e só foi pago depois de uma denúncia pública à imprensa.

 Passados dois meses, a situação volta a acontecer, estando em falta o mês de Julho, e a situação afigura-se difícil numa altura que os Um total de 398 efectivos das Forças Armadas Angolanas (FAA), licenciados à reserva, na Região Militar Norte (RMN), no Uíge, mas residentes na província da Huíla, reclamam enquadramento na Polícia Nacional e pagamento dos seus subsídios seus nomes já não constam no Sistema Integrado de Gestão Financeira (SIGF).

A informação do afastamento dos seus nomes no SIGF lhes foi passada no Comando da 5ª Região Militar Sul (RMS), para onde se tinham dirigido em busca de alguns géneros alimentícios.

Deplorou a situação por que passam por falta de pagamento deste salário, pelo facto de, até agora, não haver um horizonte temporal para o enquadramento destes na Polícia Nacional.

 Transição condicionada

Informou que o processo de transição para a Polícia Nacional foi cancelado por conta da pandemia do Coronavírus, que assola o mundo, e Angola, em particular.

Apesar deste cancelamento, Santos Silvério denunciou existir em vários centros de instrução da Polícia Nacional, em Luanda, trabalhadores civis a treinarem para serem enquadrados no seio da corporação.

“Nós entendemos que o processo de transição para a Polícia Nacional não poderia seguir o seu curso normal, tendo em conta a situação em que se encontra o país, mas ficamos preocupados quando descobrimos que nos centros de instrução em Luanda estão alguns trabalhadores civis, que são chamados de quadro 2, a receber formação para ingresso na corporação”, alegou.

Entretanto, a fonte não indicou em que centros de instrução de Luanda está a decorrer a instrução destes supostos civis, sendo que existem várias escolas da Polícia Nacional, tendo em conta a especificidade de cada especialidade.

Por seu turno, Inácio Hungulo Makanga, também soldado, informou que a situação que vivem os mais de 300 homens que serviram o exército na Região Militar Norte tem vindo a causar sérios constrangimentos às suas vidas, já que todos estão desempregados.

“Eu vim da Região Norte, no Batalhão de Operações de Apoio à Paz (BOAP), com intuito de me apresentar ao DRM, para os devidos efeitos. Nós contactámos os responsáveis do DRM e da Repartição do Pessoal e Quadros, mas fomos mal sucedidos”, disse.

Intervenção do PR

Para verem resolvida a situação, pedem a intervenção do Presidente da República, João Lourenço, na qualidade de Comandante-em-Chefe das Forças Armadas Angolanas.

 “Nós cumprimos várias missões, sem olhar atrás, fomos postos à reserva e não fomos desmobilizados, se o Estado não pode pagar os salários da reserva, que nos mande de volta às nossas unidades e continuaremos a exercer as nossas actividade no exército, já que o processo de transição está suspenso”, sugeriu.

 Eduardo Jordão Jorge, um outro soldado que falou também ao OPAÍS, desabafou que depois de terem terminado o cumprimento do serviço militar obrigatório, estão a ser abandonados por quem os devia acolher.

“Nós tínhamos de ser licenciados já há três anos, porque o serviço militar obrigatório tem a duração de três anos, e nós fizemos seis, o próprio Estado sabe disso, mas agora nos abandona cortando os nossos salários”, lamentou.

 A fonte disse não entender a decisão do Ministério do Interior (MININT) de supostamente ter priorizado o enquadramento de trabalhadores civis da Polícia Nacional, nesta altura a frequentar alguns centros de instrução, em detrimento dos efectivos.

 Segundo a fonte, a lei estabelece uma transição directa dos efectivos desmobilizados das FAA para os quadros do Ministério do Interior, com realce para a Polícia Nacional.

 Entretanto, fontes das FAA e da Polícia Nacional na Huíla desmentiram a existência de trabalhadores civis a serem treinados em Luanda, para posterior integração na corporação.

 

João Katombela, na Huíla

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