E assim… O pragmatismo de Joana Lina

Um dia depois do secretário de Estado do Ensino Secundário, Gildo Matias, ter entrado em cena com a afirmação de que existiam condições em cerca de 80 por cento das escolas, uma cifra que mereceu reprovação por parte do Sindicato Nacional dos Professores (SINPROF), foi a vez da actual governadora de Luanda, Joana Lina, sugerir que se recorresse, se necessário, a todos os meios técnicos e tecnológicos para se auxiliar a estratégia do sector no capítulo da reconfiguração da escola e da sua readaptação ao novo normal.

A governadora não poderia ser mais assertiva em função das especificidades da província e até as condições financeiras provocadas pela situação pandémica em que estamos mergulhados.

A reconfiguração é um imperativo desde que não pressuponha um corte, por exemplo, nos estudantes sem que estejam salvaguardados os interesses destes.

 Levantou-se, por exemplo, a inclusão dos estudantes do Instituto de Telecomunicações (ITEL), que têm criado inúmeras soluções noutros domínios, mas não seria sacrilégio nenhum se se apelasse também ao patriotismo e intervenção dos formandos ou licenciados em engenharia para que se encontrassem soluções para o momento.

Luanda é a mais povoada província do país. Possui quase um terço da população total do país e apresenta várias realidades: uma urbana, sub-urbana e outra rural. Face às especificidades de cada uma, os equipamentos de biossegurança caríssimos e modernos que seriam encontrados no casco urbano não teriam qualquer serventia, por exemplo, em zona de pouca densidade populacional como Quiçama ou Icolo e Bengo.

Não que as demais localidades não mereçam. Mas porque um reservatório feito numa estrutura de aço, com uma torneira e água corrente funcionaria melhor nas zonas sem condições de abastecimento de energia. A intervenção de ontem acabou por criar mossa. Houve uma onda de indignação por parte de professores, encarregados e de estudantes.

Talvez se quisesse apontar como estando prontos os estabelecimentos situados na zona urbana, porque o que se vive nas áreas sub-urbanas e na rural está longe de ser encarado como condições dignas para que as crianças ou adultos regressem às escolas, sobretudo quando a Covid-19 ainda é uma ameaça.

leave a reply