AIESPA defende reinício das aulas, alegando que foco de contaminação de Covid-19 está na comunidade

A Associação das Instituições de Ensino Superior Privadas Angolanas (AIESPA) defende, num comunicado de imprensa a que OPAÍS teve acesso, o reinício das aulas, alegando que os focos de contaminação da Covid-19 se encontram nas comunidades e não, particularmente, nas instituições de formação

A AIESPA esclarece que o facto de não existir uma solução imediata, a sociedade deve aprender a conviver com este vírus que já ceifou a vida de mais de 90 pessoas, infectou cerca de 2 mil pessoas, das quais 667 foram recuperadas e mais de 1.200 são casos que estão activos.

Esta organização que congrega todas as instituições de ensino superior, esclarece que cabe também aos docentes, enquanto agentes inspiradores de confiança e actores insubstituíveis no processo de formação, um papel educativo para se enfrentar os efeitos da actual mudança.

A AIESPA reagia assim à realização do “Encontro de Reflexão sobre o Direito à Educação e Formação, no contexto da Covid-19”, organizado pelo Ministério da Educação (MED), na Terça-feira, em Luanda.

“A Direcção Geral da AIESPA, não pretendendo subestimar os perigos de contágio, congratula-se pelo espírito de abertura ao diálogo, para que, em conjunto, face ao medo de contágio e a necessidade inadiável de cumprimento do papel social do ensino e da formação, se encontrassem soluções inovadoras”, diz.

Acrescenta de seguida que deste modo estar-se-á a agir “tal como se procedeu nos piores momentos do conflito armado, para que o sistema educativo, que é único, numa deixasse de funcionar”.

Escolas sem água e produtos de limpeza

Baseando-se num estudo preliminar sobre o regresso às aulas que está a ser desenvolvido pela Rede das Organizações da Sociedade Civil, Carlos Cambuta anunciou que das 70 escolas inquiridas, espalhadas por nove províncias, 50 por cento não têm acesso à água e a maioria apresenta escassez de pessoas e de produtos de limpeza.

Por outro lado, o representante da Associação de Desenvolvimento Rural em Angola (ADRA) no encontro propôs a aprovação de um orçamento complementar para as escolas, cuja execução deve ser feita com a supervisão das administrações municipais. Fundamentou que isso se deve ao facto de, no plano concreto, as escolas públicas funcionam sem orçamento.

“Os gestores escolares não têm um orçamento que lhes permite, por exemplo, assegurar as necessidades correntes. Têm muitas vezes recorrido aos directores municipais da educação que, muitas vezes, alegam que também não dispõem de recursos financeiros”, frisou Carlos Cambuta. Acrescentou de seguida que “há escolas onde as pessoas não têm coragem de entrar nas casas de banho”.

Esclareceu que os pais têm desempenhado um papel vital para suprir as insuficiências das escolas. A título de exemplo, apontou a mobilização dos pais e encarregados de educação para a construção das escolas e a cedência de materiais de limpeza.

Desempregados da educação

De realçar que a AIESPA declarou, noutra ocasião, que com a suspensão do reinício das aulas, sem data prevista, o sector da educação e ensino acabou por lançar 244.285 trabalhadores, entre docentes, trabalhadores não docentes e gestores para o desemprego. Alegou que a decisão afecta mais de 4.092 instituições privadas e público-privadas de educação e ensino. Com isso, 1 milhão, 716 mil e 629 crianças, adolescentes e jovens ficam na ociosidade, sem orientação educacional e de ensino.

Para convencer o Executivo de que têm as condições criadas para inverter esse quadro, a AIESPA garante que os seus filiados implementaram metodologias activas de ensino à distância e semi-presencial, com resultados qualitativos positivos, iniciando um novo paradigma metodológico de ensino e aprendizagem no Sistema de Educação e Ensino em Angola, à semelhança de muitas realidades em África e no mundo.

Por outro lado, defende que sendo Angola uma jovem sociedade em franco crescimento e tendo em conta que é prematuro esperar que o novo Coronavírus acabe a curto ou médio prazos, ou que haja uma vacina perfeita e acessível para a Covid- 19, torna-se necessário que todos aprendamos a conviver com esta pandemia.

“Urge assegurar a sequencialidade da formação, evitando-se rupturas epistemológicas e, consequentemente, mantendo-se o sistema de educação e ensino”, lê-se no documento. Esta decisão saiu da última Assembleia Geral da AIESPA, realizada de urgência na Quarta-feira, 15, para analisar a situação, em função da suspensão das aulas por tempo indeterminado anunciada dias antes, pelo Governo, através do Decreto Executivo Conjunto n.º 201/20, de 9 de Julho.

 

leave a reply