Covid-19 atira fotógrafos para a “amargura”

Sem palco, sem clientes e sem contratos de trabalho, milhares de profissionais de imagem, particularmente fotógrafos, enfrentam uma das piores etapas da sua trajectória em Angola, na última década, decorrente dos constrangimentos impostos pela Covid-19

Desde Março último, período em que se iniciaram as medidas de confinamento social, para travar a propagação do novo coronavírus, fazer dinheiro e gerar lucros com a arte de fotografar passou a ser, para a maioria desses técnicos, missão quase “impossível” de materializar.

O surgimento do SARS-CoV-2 no país está a criar imensas dificuldades aos profissionais de fotografia, que vivem um verdadeiro drama para sobreviver, havendo, inclusive, quem se diga atirado para a “amargura”, sem trabalho, sem pão e já quase sem esperanças.

“Nesta fase de pandemia, nós que trabalhamos aqui no 1º de Maio já não temos casamentos, nem festas. O nosso ganha-pão está mesmo difícil”, confessa o fotógrafo “freelancer” Miguel Mbayo.

Conforme o profissional, que desempenha esta arte no Largo 1º de Maio, desde 1998, actualmente as actividades naquele espaço público de Luanda são quase inexistentes.

“Raramente aparece trabalho”, lamenta o fotógrafo, que chegava a fazer, antes do surgimento da pandemia, entre cinco mil e 10 mil kwanzas/dia, fotografando os transeuntes que se deslocavam àquele espaço, particularmente em passeios nocturnos.

A “Praça da Família”, que albergou o acto da proclamação da Independência Nacional, a 11 de Novembro de 1975, pelo primeiro Presidente de Angola, António Agostinho Neto, é, em condições normais, um dos locais mais frequentados para a feitura de retratos.

Entretanto, com as medidas de distanciamento social em vigor no país, principalmente na capital Luanda, o espaço fica quase às moscas, sem clientes e sem possibilidades de renda para quem, como Miguel Mbayo, vive exclusivamente da fotografia.

O problema dos fotógrafos toma contornos mais alarmantes, na medida em que milhares deles ficaram sem os seus eventos tradicionais (espectáculos, festivais  cultura e arte, festas de casamentos, aniversários e baptizados, bem como eventos desportivos), ou seja, sem possibilidade de gerar renda.

Por conta deste cenário, Miguel Mbayo não vê a hora de o Mundo vencer a pandemia da Covid-19, para voltar a fotografar os seus clientes, fazer contratos de negócio e gerar renda para a família.

Numa altura em que se celebra o Dia Mundial da Fotografia (19 de Agosto), os profissionais do ramo são unânimes em afirmar que os momentos actuais são de grande amargura.

Segundo o responsável da Wanderley Produções, Nambi Wanderley, as receitas caíram bastante desde a adopção das medidas restritivas para conter a Covid-19 em Angola.

O profissional conta que antes da pandemia, a sua empresa tinha uma agenda de cerca de quatro actividades por semana, entre casamentos e festas de aniversário.

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